Abrantes | Parlamento Jovem: “Queremos ser felizes no futuro, mas também no presente”

Jovens de várias escolas secundárias e do ensino superior estiveram presentes no “Parlamento Jovem”, iniciativa de âmbito educativo que decorreu no auditório da escola Dr. Solano de Abreu, em Abrantes, no dia 16 de março. Nos trabalhos dos “jovens deputados do parlamento” foram dadas sugestões de intervenções, desde o método de ensino aplicado nos dias de hoje, como para os ambientes das salas de aula e relacionamento com os docentes. “Queremos ser felizes no futuro, mas também no presente”, resumiram os alunos.

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“Não quero aqui ser advogado do diabo!” Foi o que disse o professor José Martinho Gaspar, como presidente da mesa do parlamento, quando um dos relatores abordou o assunto, do tipo de ambiente gerado em sala de aula por alguns docentes, dizendo que “há um mau ambiente”.

O professor ainda mencionou, que a exigência dos alunos quanto a acessibilidade e o relacionamento extra classe, seria o mesmo que pedir que os docentes tivessem super poderes, pois esses tipo de atitudes não são pedidos a nenhum outro profissional.

Diogo, aluno da escola Dr. Solano de Abreu, disse ao mediotejo.net, “que o professor além de ser professor tem que ser humano, nunca se pode esquecer que é uma pessoa tal como as outras, e eu acho que não deve haver uma distância tão grande entre alunos e o professor, pois existem professores que se metem num pedestal e não há como ter uma boa relação com eles”.

Decorreram diversas abordagens no que diz respeito ao sistema educacional e o que se pode melhorar. Um dos assuntos mais falados foi a reforma, que segundo os alunos e a vereadora da Educação, Celeste Simão, se torna necessária. Na exposição oral, um dos relatores das mesas mencionou que é necessário que os alunos sejam ouvidos, pois “quando vamos ao supermercado compramos aquilo que queremos e não aquilo que o vendedor nos quer obrigar a comprar”.

Abrantes | Parlamento Jovem: "Queremos ser felizes no futuro, mas também no presente"
Aluno do ensino secundário e uma aluna do ensino superior expõem o relatório de uma das mesas do Parlamento Foto: mediotejo.net

Foram 6 mesas, cada uma com uma pergunta diferente. Cada mesa possuía um técnico da Câmara ou de alguma instituição do concelho, e um aluno redator fixo, enquanto os restantes trocavam de mesa a cada toque de sino realizado pela moderadora.

“Qual a tua opinião sobre os tpc´s (Trabalhos para Casa)?”

“Sendo este um tema debatido nas mais diversas escolas e nos mais diversos pontos do país, em relação aos trabalhos de casa, e sendo este um tema controverso, as opiniões dividem-se de uma forma geral, sendo que os trabalhos de casa são de uma grande carga” foi a conclusão que resultou das várias opiniões, mesmo reconhecendo que são importantes para a evolução do aluno.

Inês Oliveira, do 12° ano, estudante do Liceu, declarou que, “nesse momento o sistema deve.se alterar consoante a actualidade,  acho que está envelhecido e que as pessoas que estão a nascer e os que estão a estudar, hoje em dia, já não se identificam com o ensino”.

De que forma a escola pode contribuir para a tua felicidade?

Inês Oliveira ainda acrescentou que acredita que a felicidade virá a longo prazo porque vai ajudá-la “a escolher um caminho”. E que a escola contribui “para a felicidade no momento” também.

“O que diferencia uma pessoa de vir à escola ou de ter aulas pela internet, se alguma vez alguém tiver essa ideia nos ministérios, é porque na escola há sempre aquela convivência entre os colegas e a convivência com os próprios professores” explicou um dos alunos do ensino secundário.

O professor Martinho Gaspar, explicou: “Se nós pensarmos que a escola pode ser um fator de ascensão social, é verdade que a escola que temos hoje em Portugal é uma escola massificada, mas é uma escola também que dá oportunidades à todos, enquanto que no passado, nós tínhamos algumas pessoas que pela sua condição social e pela sua situação económica, estavam limitadas em termos de seu percurso profissional”.

“Se o aluno estiver a trabalhar ou a frequentar a área profissional ou escolar que lhe diz respeito a qual gosta e para qual está motivado é sem dúvida um fator de felicidade, ou seja, quando as pessoas fazem aquilo que gostam e quando estão naquela área que gostam com certeza se sentem felizes”, palavras do docente.

Abrantes | Parlamento Jovem: "Queremos ser felizes no futuro, mas também no presente"
Mesa Parlamentar com alunos do secundário e o Professor José Martinho Carvalho Foto: Cm-Abrantes

“Eu sou muito contra algo implementado aqui em Portugal, que é os alunos serem obrigados a ter que escolherem no 9° ano um curso. Eu acho que devia ser promovida a versatilidade dos conhecimentos das pessoas e acho que os cursos deviam ser escolhidos por disciplinas ou por cadeiras. Seria possível uma pessoa ter matemática e ter história ao mesmo tempo”, afirmação foi muito comum entre os alunos. De acordo com eles, saber bem o que querem na altura da escolha de curso, é “muito difícil”.

Aulas mais práticas, aproveitamento das áreas externas para ensinar, melhores condições de transportes para os alunos que vivem mais distantes das escolas, prémios de reconhecimento pelo desempenho dos alunos como “viagens de estudo e 1 ano de ginásio pago” e entre várias outras revindicações, foram algumas das ideias que resultaram deste “Parlamento Jovem”.

 

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