Abrantes | O dia zero de um novo capítulo na vida do médico José Tavares (VIDEO)

José Falcão Tavares, 66 anos, médico há 42, despiu a bata no dia 9 de julho. No último dia como clínico recebeu o jornal mediotejo.net no seu consultório do Centro de Saúde de Abrantes e partilhou algumas das histórias que marcaram a sua vida. Falou do seu percurso como médico de família, de um trabalho esculpido “à picareta”, por ter integrado os “pioneiros” de uma nova carreira médica no Serviço Nacional de Saúde, no pós-25 de Abril. Falou da sua veia de escritor, do que ainda está por fazer, e até do seu sonho maior: escrever uma ópera.

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Será como diria Agustina Bessa-Luís: “Temos de acabar um livro com tinta na caneta” para que dela possam nascer outras histórias. E o “livro” do médico José Falcão Tavares assim terminou no dia 9 de julho de 2019, em Abrantes, onde na realidade também começou – mais que não fosse como preâmbulo da redenção de um jovem que presenciou as dificuldades e a “forma generosa” como os pais se deram aos outros, vendo a porta da farmácia Silva Tavares “aberta de dia e de noite”, para receber pessoas com situações de saúde urgentes, como recorda ao mediotejo.net.

O médico despiu bata, com a qual quis ser super-homem, e deixou para trás 42 anos de prática clínica, 37 deles como médico de família, mas com os olhos postos no futuro e no muito que ainda quer fazer. Abre-se agora, diz-nos, “uma janela tão grande como a escala dos meus projetos”.

Nem sempre foi fácil, admitiu descrevendo o seu trabalho pioneiro “de picareta”, no sentido de “estabelecer e fazer respeitar a carreira e a especialidade” que nos pós-25 de Abril, com a criação do Serviço Nacional de Saúde, se apresentou como uma novidade, tornando, atualmente, a ideia dos “médicos da Caixa” uma memória longínqua.

O médico José Falcão Tavares durante o seu último dia de trabalho antes da reforma, em Abrantes. Foto: mediotejo.net

Mas comecemos esta história pelo princípio. Os pais de José Tavares chegaram a Abrantes nos anos 1950, como farmacêuticos/analistas, e “foram muito mal recebidos pelos médicos em geral”, descreve o clínico. Por isso, para o jovem prestes a entrar na universidade, ser médico representava “uma espécie de resgate” em relação ao que os seus pais passaram. Foi uma “motivação pessoal”, além de “ser útil aos outros, de ter emprego garantido, de poder ganhar um bom salário”, confessa.

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Muito além do receituário para as maleitas, José Falcão Tavares observou o espaço da consulta médica como “um teatro”, e, tendo em conta o seu gosto pelas artes, mais de quatro décadas não o desviaram da ousadia das definições, isto é, da sua paixão pela escrita, seja de poesia ou de prosa, também pelo seu refletido conhecimento dos comportamentos humanos, muitas vezes (quase sempre), expostos perante o médico que se tornara um amigo e a quem se desvendavam segredos.

Assim, paralelamente ao médico construiu-se o escritor, que arriscou textos que buscavam levar os jovens médicos à reflexão (ou qualquer um de nós), seja para discordar ou relativizar os assuntos do quotidiano. Na sua vida de médico escreveu ainda um diário de sofrimentos, de apontamentos, de proximidade com os outros, numa recolha de vivências.
Mas não antecipemos. Regressemos à manhã deste 9 de julho, o seu último dia sentado no consultório.

O médico José Falcão Tavares durante o seu último dia de trabalho antes da reforma, em Abrantes. Foto: mediotejo.net

Encontramos José Tavares na sala 7 da sede dos cuidados de saúde primários de Abrantes, onde funcionam várias valências, incluindo a Unidade de Cuidados na Comunidade. E é aí que o médico, o segundo dos quatro filhos de João Silva Tavares e Maria Salomé Margarido e Silva Falcão, nos conta que nasceu em Abrantes há 66 anos – a completar neste mês de julho –, tendo crescido em Alferrarede. Os pais saíram de Abrantes para ir morar numa casa alugada por cima da Farmácia Casaca, pois na altura compraram o trespasse do que mais tarde passou a ser, até hoje, a Farmácia Silva Tavares.

No percurso escolar, José Tavares destaca o Colégio La Salle, onde estudou 10 anos, como sendo “o único privilégio” que teve na vida, por oferecer “uma educação muito acima dos padrões da época” pelos frades da congregação de La Salle, criada no século XVII em França, dedicada aos alunos mais pobres. Contrariando um pouco esse princípio, em Abrantes oferecia educação “aos filhos das famílias mais ricas”, nota, embora existissem alunos com bolsas de estudo.

Nas muitas memórias que tem do Colégio lembra que “os frades conseguiram transportar clandestinamente parte de uma máquina de projetar para um cine-fórum”. Atividades para os alunos que eram partilhadas com a Casa de Santa Maria, uma instituição da cidade. “Tínhamos folhas e publicações dedicadas ao cinema”, recorda. Na época, nos anos de 1960, era “um grande avanço e uma novidade em Abrantes”, diz, falando de “professores excecionais que criaram um regulamento interno que já proibia os alunos de fazer bullying”, e valorizavam outros valores humanistas que José Tavares recorda e inclui como determinantes no seu crescimento enquanto pessoa.

O médico José Falcão Tavares no seu gabinete, no último dia de trabalho antes da reforma, em Abrantes. Ao fundo, o Hospital dr. Manoel Constâncio. Foto: mediotejo.net

Quase em tempos de revolução e sentindo os ventos de mudança, escolheu Lisboa para estudar Medicina, no Hospital de Santa Maria, ficando alojado no Colégio Pio XII, “um colégio universitário com cerca de 100 estudantes de todos os pontos do País”, onde o rapaz tímido absorveu aprendizagens e se iniciou no jornalismo.

José Falcão Tavares terminou o curso em 1976 e por isso recorda as greves de 1974 – “o que fez com que o ano letivo tivesse começado muito tarde”, em janeiro. “Assisti a muitos percalços, a muitas reuniões gerais de alunos, vi a PIDE invadir o hospital e fiz amigos para a vida”, recorda.

Perante um cenário “de uma cidade cheia de luz, junto ao Tejo, fascinante”, e os gostos de um homem urbano, tentou fazer carreira médica em Lisboa. Fê-lo de forma “ingénua”, diz, na tentativa de que a diligência lhe mostrasse “algum lugar onde pudesse ser médico”, mas não conseguiu. Depois surgiram os exames de acesso ao internato e teve de escolher entre psiquiatria ou clínica geral. “O meu internato nos hospitais de Lisboa deu-me uma noção desagradável dos hospitais. Não queria ser médico hospitalar. Fiz o exame e escolhi trabalhar no Interior, escolhi Abrantes, pela ligação à terra, após uma boa experiência em Mação, no serviço de médicos à periferia”, explica. Uma experiência de um ano que recorda como “fantástica”, uma espécie de “prenúncio” daquilo que mais tarde viria a ser a novíssima carreira de médico de família.

Distante dos seus “ideais” estava a ideia de trabalhar no sistema de saúde privado, mas quis o destino que assim acontecesse e, durante uns tempos, José Tavares tratou doentes na sua clínica em Alferrarede. “Não era o meu sonho, mas sim investir profissionalmente” no associativismo. Para tal criou à Associação Médicos de Família com outros colegas em 1983, um ano após chegar a Abrantes. Três anos mais tarde criou o Clube de Clínica Geral “que tinha, sobretudo, várias atividades de formação e um Boletim Interno”. Assim, em outubro de 1988, surgiu o jornal Médico de Família.

José Falcão Tavares mostra o jornal “Médico de Família”, que ajudou a criar, durante o seu último dia de trabalho antes da reforma, em Abrantes. Foto: mediotejo.net

O Clube teve uma vida curta mas José Tavares entendeu que a ideia de um jornal era fundamental para a nova geração de médicos de família. “Estávamos a começar uma carreira nova, era preciso defender direitos, interesses. Havia uma especialidade que passava pelo estudo da família, pela vigilância de crianças, grávidas, idosos. Era um contexto novo, inexistente nos serviços medico-sociais, e sentíamos que era importante apostarmos num sentimento de pertença com a classe”, explica.

O sucesso foi tal que o jornal, enviado aos 4 mil sócios da Associação em todo o País, criou o Prémio Destaque, atribuído a figuras, instituições e grupos, e que tinha como troféu um Ícaro desenhado em acrílico pelo designer Carlos Pontes, também responsável pelo logótipo e pelo design do jornal, e que mais tarde faria, por exemplo, o logótipo do Centro Comercial Colombo, em Lisboa.

“Era um milagre! Na época não havia computadores, enviávamos o material de Alferrarede por fax para o dr. Luís Pisco [o atual presidente presidente do conselho diretivo da Administração Regional de Lisboa e Vale do Tejo] compor, enviar para a gráfica em Tomar e o dr. António Branco [o atual coordenador da USF de Santa Maria] poder imprimir o jornal. Ou seja, a redação era em Alferrarede, a montagem nas Caldas da Rainha, a gráfica em Tomar e reuníamos em Lisboa”, recorda.

Depois de se fixar como médico em Abrantes, nestes 37 anos nunca mais pensou em sair do concelho, até pelos laços afetivos que foi criando com os seus pacientes. José Tavares deu consultas em vários locais do concelho e da região, nomeadamente no Souto, onde descobriu uma estranha realidade. “Encontrei alcoolismo feminino, mulheres com uma grande barriga de água, algo que não era frequente em Lisboa”, conta.

E lembra episódios semelhantes aos descritos por Fernando Namora na obra “Retalhos da Vida de Um Médico”. Como a noite em que, em Mação, “apareceu a esposa de António Colaço [ex-assessor político do Grupo Parlamentar do PS] em trabalho de parto… e tivemos de o fazer ali. Foi uma situação aflitiva, não tínhamos muita experiência e tivemos de resolver. Não foi tão dramática como aquela do dr. Fernando Namora, em que teve de usar ferros, mas foi uma situação que nos marcou”.

Só mais tarde, devido a uma fusão, os médicos de família passaram a ter o trabalho curativo dos centros medico-sociais e o trabalho preventivo dos centros de saúde, “seguindo grávidas, crianças e até doentes com lepra” ou de Hansen, uma doença já erradicada em Portugal.

O médico José Falcão Tavares com a cidade de Abrantes como pano de fundo. Foto: mediotejo.net

Sem perfil de gestor, José Falcão Tavares preferiu dedicar-se paralelamente aos livros. “Um bom gestor tem de ter cabeça, coração e estômago e eu não tenho estômago para certas situações”, confessa, criticando a inexistência de autonomia nos centros de saúde. “Quem fosse diretor teria de limitar-se a cumprir ordens superiores, iguais para todos, e que às vezes não faziam muito sentido ou que iriam prejudicar pessoas”, critica.

Defende, por isso, políticas distintas nos centros de saúde tendo em conta a realidade local. “Deve haver responsabilidade. Por exemplo, colocar os profissionais, quaisquer que eles sejam, com relógio de ponto é a medida mais direta para os desresponsabilizar, dizendo que são meros funcionários, sem opinião relevante, servem para cumprir regras e tarefas”, diz, elogiando as Unidades de Saúde Familiar que “puderam contrabalançar isso com níveis, de autonomia muito maiores”.

O médico José Falcão Tavares durante o seu último dia de trabalho antes da reforma, em Abrantes. Foto: mediotejo.net

Sobre o Serviço Nacional de Saúde, o que mudou nos últimos 40 anos? “Mudou tudo!”. Menciona “profissionais extraordinários” mas nota a ausência de organização. “Não havia sentimento de pertença, nem capacidade para investir nos cuidados de saúde. No início deu-se a possibilidade de as autarquias construírem postos de saúde em todos os locais, o que veio onerar muito os serviços, retirando eficácia e pulverizando aquilo que deviam ser serviços com uma orientação comunitária”, opina.

José Tavares, enquanto médico, viu chegar a era digital, por isso lembrou-se de levar um bule de chá para o seu consultório, para recolher histórias, apontamentos, e “pedacinhos de Humanidade”. Diz ser esta “a única possibilidade para não nos convertermos em ciborgues, em máquinas. O pote, na caixa de pandora, é o sermos humanos, é termos compaixão uns pelos outros”.

E passa a explicar: A ideia do bule nasceu do livro “Medicina Narrativa”, de sua autoria, inspirado na alegoria do chá maluco do livro infantil “Alice no País das Maravilhas”. O bule chegou assim ao consultório “para recolher os pedaços em que ia escrevendo alguns apontamentos sobre a consulta, nomeadamente episódios, canções, orações, provérbios, que no livro tinham um carácter importante”, expressando saberes. “Utilizava-os para entender formas de pensar, e isso ajudava-me a ver não um doente mas uma pessoa”. Tudo foi depois guardado e transcrito.

José Tavares escreve desde 1995 num diário onde comenta as histórias do dia, absorve e digere, traçando comentários que deram origem às sete histórias incluídas no primeiro livro  de Medicina Narrativa escrito em Portugal.

“Não é mais do que ensinar aos jovens médicos e a outros jovens da área da saúde o valor das histórias. Isto é, não retiramos as histórias dos utentes para fazer uma história clínica estereotipada, mas perceber o que querem realmente dizer, o que está oculto e que não disseram da primeira vez. Por exemplo, nos segredos familiares, nas alianças familiares e até nas mentiras que nos pregaram”, explica, até porque a verdade, por vezes, encontra-se encoberta pelo manto da razão.

José Tavares tem sete livros publicados. Aos cinco livros médicos somam-se dois de poesia e está a reunir textos para iniciar uma nova fase. “Espero publicar poesia relativa à minha infância, mas estou dedicado a ficção”, revela, sem abolir a possibilidade de publicar ensaios sobre medicina, ou até um livro de memórias.

O médico José Falcão Tavares durante o seu último dia de trabalho antes da reforma, em Abrantes. Foto: mediotejo.net

O médico narra-nos os sentimentos e emoções dos últimos dias em que os pacientes dizem adeus ao seu médico de mais de 30 anos. “Despedem-se de formas diferentes, uns mais emotivos e outros dizendo que me mentiram, contando a versão verdadeira do episódio clínico. Uns dizem que os vou abandonar e outros, de forma humana e generosa, ficam contentes por me verem seguir a minha vida”, conta.

E é nisto, sobretudo, que reside a riqueza de ser médico de família, diz, uma missão com três tarefas: a biomédica, a biográfica e (atualmente) a burocrática . “O contar tem vários tempos. Uma das riquezas é a continuidade, serem cuidados longitudinais, muito rico para um médico interessado pelo outro lado”, diz, observando as diferenças entre a natureza da consulta de um doente que procura o recurso e outro que vai ao seu médico de família.

“O relacionamento e o resultado da consulta têm um contraste terrível, e isto é uma palavra suave para dizer que é uma área má do Serviço Nacional de Saúde. Só quem não passou por isso é que pode permitir que isso continue”, nota. Sobre esta última afirma “criar uma distância entre o doente e o médico”, e foi por isso que surgiu o bule no seu consultório, na certeza de que “outros colegas aplicarão outros tipos de estratagemas para sobreviverem como pessoas a essa relação triangulada”.

O bule de chá do dr. José Tavares. Foto: José Tavares

Até 2010, a verdadeira data da sua reforma, José Tavares contou com uma lista numérica regular de doentes. “Reformei-me há 9 anos e tenho continuado para colmatar a carência grave de médicos de família”. Começou com uma lista um pouco diferente, que engrossou com as pessoas que não tinham médico atribuído. Chegaram a ser duas mil pessoas, situação que se alterou no final de 2018, ficando com algumas centenas dos utentes do concelho sem médico. No recurso, permaneceu nos últimos tempos, até dia 9 de julho. “Fui médico tarefeiro, uma situação indigna. Se zelo tanto pelos outros tenho de ter algum respeito por mim próprio”, desabafa, embora garanta que a sua saída não está relacionada com essa situação.

Diz sair orgulhoso. Apesar das dificuldades, a medicina deu-lhe muito, a relação com os doentes permitiu que aprendesse com eles, que se tornasse numa pessoa melhor, mas gostaria de “ter feito investigação, de ter um trabalho de equipa organizado, de ter tido internos”. A formação dos mais jovens ficou por fazer, tal como “uma medicina de mais alta qualidade, que tivesse uma maior ligação entre os vários cuidados de saúde… mas isso é um assunto arrumado”, conclui. No “primeiro dia do resto da sua vida”, parafraseando Sérgio Godinho, manifesta-se confiante na nova etapa que agora começa.

Mas recordará sempre com carinho as atitudes de amizade. Como um terço da sua lista de utentes chegava das aldeias, as senhoras ofereciam-lhe ovos e os homens ofereciam “o ouro da terra”, ou seja, mel. Para José Tavares receber essas dádivas era “uma emoção grande”. Chegava ao ponto de juntar em casa 30 ou 40 potes, e “sabia que cada pote representava muito para eles e que era a expressão da sua gratidão. O reconhecimento das pessoas é do melhor que levamos daqui”.

O médico José Falcão Tavares não esquecerá as ofertas dos doentes, como os ovos e o mel. Foto: mediotejo.net

Se não fosse médico poderia ter abraçado qualquer outra profissão, garante. “Sou uma pessoa eclética, curiosa, humana, e tudo o que é humano me diz respeito”. Agora tem outros projetos que legitimam a emergência de sentidos novos. Passa a ser médico de outra maneira, como escritor, como historiador médico, ensaísta médico, e quer doutorar-se em Medicina Narrativa. “Saímos da medicina mas a medicina não sai de nós”, admite, sem fechar portas. “Fazemos planos para a vida, mas na realidade é a vida que faz planos para nós.”

O último dia enfatiza o recomeço do amanhã. Quer ainda viajar, conversar muito, ouvir música, fazer desporto, ir à ópera… até porque um dos seus sonhos é escrever um libreto. “Gosto muito porque a ópera junta o teatro à música e tem uma interpelação momentânea, uma emoção”, considera, sem designar uma ópera preferida, apontando várias que lhe tocam a alma.

Sem o entrelaçar na cardiologia, o coração humano é o melhor que retira destes 42 anos como médico. “Só somos humanos através dos outros”, sublinha, e menciona a descoberta científica dos neurónios em espelho, existentes nos mamíferos. “Mesmo quando não está ninguém, dirigimos o discurso a alguém. Somos seres sociais. Numa consulta estamos sempre em cena, há uma carga dramática. O doente fala para uma audiência que pode não ser o médico, mas ter um tipo de discurso dirigido, por exemplo, ao pai que sempre o obrigou a comer certo tipo de comida”.

O médico José Falcão Tavares à porta do centro de saúde, durante o seu último dia de trabalho antes da reforma, em Abrantes. Créditos: mediotejo.net

Por isso, quase no final da nossa conversa, apresenta-nos aquele que considera um dos instrumentos mais importantes do médico de família: a caixa de lenços. Não tanto para o médico, embora não seja fácil “dar aquele abraço que sabemos ser o último, uma vez que os médicos têm o sonho de ganhar a batalha das doenças”, reconhece. “Vivemos sempre essa falência. É um fracasso de certa maneira… contudo só biomédico, e não biográfico. A energia das pessoas continua por cá”. Tal como José Tavares que, numa vida renovada, continuará por Abrantes… agora mais disponível para dois dedos de conversa.

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