Abrantes | Manobras, o festival de marionetas multidisciplinar próximo das comunidades

Espetáculo 'Achimpa', festival Manobras.

A terceira edição do Manobras – Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas, que se realizará de 13 de setembro a 31 de outubro, procura desmistificar a arte através do projeto colaborativo Artemrede, levando uma programação cultural a 10 municípios do País que vai muito além do festival de marionetas. Em 2019 o Manobras é lançado em Abrantes, um dos municípios associados e que apresentará dez espetáculos desta programação, três deles escolhidos por cidadãos comuns.

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Espetáculos e oficinas em que as marionetas e as formas animadas se cruzam com o teatro, a dança, as artes de rua e o audiovisual, podem ser vistos no concelho de Abrantes, de 14 de setembro a 27 de outubro, num total de 10 espetáculos, numa rua, numa praça, num parque, num mercado ou numa escola – não só na cidade mas também em Tramagal e em Rio de Moinhos, locais que foram escolhidos tendo em conta os aspetos técnicos que os espetáculos exigem.

“Há toda uma dimensão de tecnicidade que tem de ser avaliada em função das necessidades dos espetáculos. Alguns têm de ser em auditório, e fisicamente continuamos com algumas debilidades quanto à plenitude do auditório, e depois há toda esta dimensão da valorização do património e de conseguir afirmar a itinerância cultural pelas freguesias. As escolhas são feitas em função da dimensão de cada espetáculo”, explicou o vereador da Câmara Municipal de Abrantes responsável pela Cultura, Luís Dias.

Vários dos espetáculos programados pelo Festival acontecem em locais públicos ou em espaços patrimoniais, com o objetivo de promover a relação entre a arte e o património. Vitor Pinto, responsável pela comunicação da Artemrede, salientou a importância de levar estes espetáculos aos locais do património cultural local, “para valorização do espaço público”.

Espetáculo ‘Para Vós’, festival Manobras.

Será um mês e meio de espetáculos e oficinas, que no Médio Tejo passam também por Alcanena e Tomar, em que as marionetas e as formas animadas se cruzam com outras formas de arte, para a terceira edição de um festival que derivou da festa da marioneta da Artemrede, e que “pretende cada vez mais apresentar-se multidisciplinar, cada vez mais próximo das comunidades e mais participativo”, disse por sua vez Vitor Pinto, falando na envolvência da comunidade não só no processo criativo mas também nos processos de escolha.

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Apesar de ter marionetas no nome, o Manobras não se esgota nessa arte. “É um festival das marionetas mas faz também pontes com o teatro físico, com instalações, com audiovisual, com artes de rua, e toda a programação dos 10 municípios espelha essa diversidade”, acrescentou.

Dezanove espetáculos, cinco oficinas e quatro objetos audiovisuais, de companhias nacionais e três estrangeiras, um festival integrado num projeto de cooperação cultural com 14 anos de atividade ininterrupta, constituída por 16 municípios mais um associado, sendo Abrantes o vice-presidente, com Lisboa a presidir. Os espetáculos que integram a terceira edição foram selecionados num processo de debate e codecisão que envolveu, por um lado, os programadores dos municípios da Artemrede e, por outro, os seus respetivos grupos de Visionários, que integram o grupo de escolhas.

“Os espetáculos escolhidos partem da nossa programação de base. Todos os anos lançamos convocatórias para projetos artísticos, recebemos uma série de propostas, há uma pré-seleção por parte dos programadores da Artemrede e depois há uma parte selecionada pelos programadores e dentro desse pacote de espetáculos há alguns para os Visionários debaterem. É uma iniciativa transversal aos vários projetos da Artemrede”, explica Vitor Pinto. Após o Manobras, em novembro, acontecerá noutros municípios (Lisboa, Pombal e Sesimbra) ‘A Semana do Espectador’ em que os grupos de Visionários desses locais escolheram os espetáculos.

Apresentação do terceifo festival Manobras, em Abrantes. Nelson Amaral, Luís Dias e Vitor Pinto (da esquerda para a direita) Foto: mediotejo.net

Ou seja, cidadãos comuns envolvidos na seleção da programação (três espetáculos) da sua terra. Neste momento são 9 os grupos de Visionários nos 16 municípios da Artemrede, no âmbito do Manobras são 5 os grupos que participaram na programação. No terceiro Festival Manobras participaram os Visionários de Abrantes, Alcanena, Alcobaça, Pombal e Tomar.

Presente na conferência de imprensa estava Nelson Amaral, Visionário de Abrantes, que falou num processo muito gratificante, de conciliação de interesses. “Percebes o que está por trás dos espetáculos, nomeadamente os orçamentos”, disse, sendo o orçamento total do Festival Manobras de cerca de 200 mil euros, num projeto cofinanciado pelo Portugal 2020. No final, a escolha passa por “tentar o comum em todos e apresentar à população espetáculos de rua que tenham também a capacidade de adaptação”, pensando, por exemplo, nas condições atmosféricas, referiu.

Cada município tem escolhas diferentes. Em Abrantes a escolha recaiu sobre três espetáculos: ‘Achimpa’ da companhia Valdevinos, com apresentação no dia 1 de outubro em Rio de Moinhos; ‘Sorriso’ do grupo Teatro Só, na SAT em Tramagal, no dia 20 de outubro; e ‘Balada das Vinte Meninas Friorentas’, de Margarida Mestre, sobe ao auditório da Escola Dr. Manuel Fernandes no dia 21 de outubro.

Espetáculo ‘Guardar segredo’, festival Manobras.

A maioria dos espetáculos é gratuita e acessível a públicos de diferentes idades, desde crianças, ainda em idade escolar, até jovens e idosos. Exemplo dessa transversalidade etária são os espetáculos ‘Mapa’ de Fernando Mota, criados para públicos infantil e adulto. A população sénior também não é esquecida e ocupa, nesta edição, um lugar de destaque em ‘Para Vós’, um espetáculo de teatro participativo de Cláudia Andrade.

Além disso, reencontramos no Festival artistas que já escreveram uma parte da história do Manobras e que continuam a fazê-lo este ano. O Amarelo Silvestre volta com ‘Guardar Segredo’, um conjunto de peças para um espectador de cada vez. De regresso estão também o Teatro Só com o espetáculo de rua ‘Sorriso’ ou a Radar 360º com ‘Manipula#Som’. Muitos outros marcam presença pela primeira vez, como a Companhia da Chanca, Constanza Givone ou as três companhias internacionais (Toc de Fusta, Figure Libre e Don Davel), oriundas de Espanha e de França.

A entrar no terceiro ano, no que diz respeito ao público do Manobras, Vitor Pinto garante ter “evoluído. O grupo de Visionários contribui para isso também. Podemos fazer esforços nas campanhas de comunicação etc, mas sabemos que há sempre o fator humano que contribui bastante para que as pessoas tenham conhecimento do que está a acontecer. Os Visionários são também uma espécie de embaixadores do Festival”. Depois “há uma tendência nas artes performativas de explorar espaços diferentes, espaços públicos e tentamos também seguir essa linha o que contribui para que as pessoas tenham consciência do Festival e venham cada vez mais”.

Para Luís Dias, a Artemrede, no que a Abrantes diz respeito, “é um desafio permanente”. Fazem-se entre 10 a 12 reuniões de direção por ano, e, diz, é bastante convergente. “Há pessoas de todos os quadrantes políticos mas com um denominador comum. Quanto às escolhas, torna os nossos territórios mais inteligentes e permite ver e ter multiplicidades de ações com outros municípios com os quais, normalmente, não trabalharíamos”. O valor anual de comparticipação do município de Abrantes ronda os 17 mil euros.

Em 2019, a Artemrede integra os municípios de Abrantes, Alcanena, Alcobaça, Almada, Barreiro, Lisboa, Moita, Montemor-o-Novo, Montijo, Oeiras, Palmela, Pombal, Santarém, Sesimbra, Sobral de Monte Agraço, Tomar e a associação Acesso Cultura. Tem por missão promover a interação entre territórios de diferentes escalas e trabalhar a especificidade desses territórios através do apoio à criação artística, à programação em rede, à formação e às práticas de mediação cultural.

PROGRAMAÇÃO ABRANTES:

14 setembro – ‘Guardar Segredo’ 15h00-17h30 e 19h00-21h30 – Praça Barão da Batalha/Espaço Jovem – entrada livre
22 setembro – ‘Friends of Crusoe’ 11h00-13h00 e 15h00-18h00 – Parque Urbano São Lourenço – entrada livre
1 outubro – ‘Achimpa’ 10h30 – Rio de Moinhos – entrada livre
8 outubro – ‘Y a Plus de Saison! Já não há estações do ano’ 15h00 – SAT Tramagal – entrada livre
11 outubro – ‘Para Vós’ 21h30 – SAT Tramagal – preço 4 euros
17 outubro – ‘Mapa – Contos e Cantos’ 10h00 – SAT Tramagal – entrada livre
20 outubro – ‘Sorriso’ 11h00 – Parque Urbano São Lourenço – entrada livre
21 outubro – ‘Balada das vinte meninas friorentas’ 14h30 – Auditório da Escola Dr. Manuel Fernandes – entrada livre
27 outubro – ‘Fogo lento’ 15h00 – Mercado Municipal – preço 2 euros

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