Abrantes | Jornadas Sociais abrem debate sobre desenvolvimento sustentável (C/FOTOS)

Começaram esta terça-feira, dia 23, as Jornadas Sociais do concelho de Abrantes, contando com presença da Secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Catarina Marcelino, bem como um conjunto de oradores que vieram dar conta das suas experiências em torno dos conceitos de inclusão, cidadania e igualdade de oportunidades. A sala de cinema do Edifício Millenium é o palco desta iniciativa, como simbolismo do trabalho desenvolvido por uma série de parceiros sociais, bem como pela autarquia, no projeto Bairro ConVida. As Jornadas Sociais terminam esta quarta-feira, dia 24, fechando o programa a Carrinha da Cidadania e Feira Mostra de Cooperação e Desenvolvimento.

Catarina Marcelino, Secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, começou por fazer enquadramento dos objetivos de desenvolvimento sustentável, “a Agenda 20-30 das Nações Unidas só será plenamente atingida se localmente as populações se souberem apropriar desta agenda (…) porque é muito ambiciosa”, notou.

É definida por 17 objetivos, “que cruzam todas as áreas da sustentabilidade ambiental e humana, no fundo do planeta”, com cerca de 160 indicadores mundiais, que são
“Iniciativas como a vossa é o que precisamos muito”, notando que no próximo ano, um dos seus objetivos enquanto Secretária de Estado para a Cidadania é “dar continuidade ao roteiro da Cidadania em Portugal, que quarta-feira estará em Abrantes, com a carrinha que dinamiza cidadania pelo país”, mas a ideia é que surjam novas estratégias de cidadania.

PUB

“Podemos apropriar-nos no sentido de localmente perceber o que podemos fazer em prol dessas áreas, e desenvolvê-las mais”, pois segundo Catarina Marcelino, “podemos fazer mais, que é olhar para o PDS ou outros instrumentos de planeamento da mesma natureza, e possam perceber com os indicadores que estão previstos, como é que se podem medir nos PDS e em outros planos”, dando uma dimensão local da estratégia.
“Trabalhamos para uma sociedade com igualdade de oportunidades para todos e para todas, e eu sei que Abrantes trabalha para isso, tomando o exemplo deste espaço e deste bairro”, referiu-se a governante à dinamização do Edifício Millenium, em Vale de Rãs, onde se desenvolve o projeto Bairro ConVida.

“Precisamos de integração social, que por sua vez promove oportunidades, (…) e as oportunidades são para cada um e cada uma de nós, e depois é nessas oportunidades em conjunto que nós construímos uma sociedade melhor, e não há melhor forma do que ir buscar exemplos pessoais de vida, de pessoas que de formas diferentes construíram soluções para sua vida, às vezes contra todas as expetativas, e são a prova viva daquilo que nós todos queremos enquanto pessoas, e para isso trabalhamos e o desenvolvimento sustentável é fundamental: nós queremos todos e todas ser felizes”, mencionou a governante.

PUB

Já Maria do Céu Albuquerque, presidente da CMA, começou por focar a importância de “inverter a pirâmide demográfica, fazer com que os jovens tenham mais filhos, e mais cedo, para podermos construir uma sociedade mais sustentável”, justificando que o tema das Jornadas Sociais se prende com a sustentabilidade, e tem a ver com a Agenda até 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, e com a resolução da ONU, “Transformar o Mundo”.

A autarca notou a “grande responsabilidade” em termos de preparação do futuro, pois “é para os nossos filhos, para os nossos netos, para as gerações que nos sucedem que nós temos que trabalhar e temos que estar preocupados”.

“Encontramo-nos no edifício Millenium, nesta sala de cinema, que esteve fechada até há muito pouco tempo porque teve um problema de insegurança muito grande, que fez com que as pessoas deixassem de frequentar este bairro, caraterístico das cidades, onde vive classe média, professores, enfermeiros, médicos, mas depois, tem também habitação social, tem famílias de etnia cigana, e teve problemas sérios de insegurança”, contextualizou a autarca.

“O espaço esteve fechado, o centro comercial foi vandalizado, e graças a uma ação concertada que incluiu a CM Abrantes, as forças policiais, nomeadamente a PSP, e um conjunto de outros parceiros que se instalaram neste espaço, nomeadamente a associação Cres.Ser, a Escola Profissional de Desenvolvimento Rural de Abrantes, a TAGUS através da distribuição dos cabazes do PROVE a partir destas instalações, mas também a Associação Vidas Cruzadas. Foi possível encontrar um parceiro privado para tomar conta desta sala de cinema, e com isso, podermos devolver este espaço não só ao bairro, mas a toda a comunidade”, concluiu.

A autarca reforçou ainda a importância de um trabalho em rede, através da própria Rede Social do município, acrescentando que “as obras imateriais são estas, que demoram a dar frutos, mas são estas que valem a pena”, sendo que criam qualidade de vida e fazem promoção das competências dos cidadãos.
Maria do Céu Albuquerque referiu que a missão é a promoção do desenvolvimento sustentável, “fazendo com que a comunidade seja cada vez mais uma comunidade justa, coesa, inclusiva, onde todos e todas tenham o seu lugar. Sem medos, sem preconceitos de raça, de etnia, de género”.

A base destas jornadas está no Plano de Desenvolvimento Estratégico da CMA, tal como no Plano Local para o Desenvolvimento Social, tal como o Plano de Desenvolvimento Social 2017-2018, aprovado em janeiro.
A autarca mencionou ainda o trabalho da Rede Social do concelho que “não se reduz a fazer um conjunto de reuniões formais, trabalha todos os dias para poder contribuir para este desígnio de elevar a qualidade de vida dos cidadãos”.

Inclusão para colher sorrisos… mas há que semeá-los

Partindo-se para as comunicações, e antes do primeiro painel desta iniciativa, Eugénio de Andrade, presidente da Cáritas Portuguesa, enquanto KeyNot Speaker, deixou um discurso com algumas reflexões, que foram a ignição das intervenções seguintes.

O responsável pela Cáritas Portuguesa deixou clara a importância de distinguir crescimento económico de desenvolvimento económico, frisando que além da economia há que ter em conta a vertente comunitária e de apoio social.

Desenvolvimento deve ser sinónimo de qualidade e não de quantidade. “O ter tem que estar ao serviço do ser”, pois só assim, segundo Eugénio de Andrade, se consegue “defender e promover a dignidade”, nunca esquecendo que “toda a gente é pessoa”.

Já quanto a ser cidadão ou cidadã, para o presidente desta instituição, ou se é ou não se é, uma vez que ser cidadão/cidadão é “estar comprometido no desenvolvimento da cidade” em prol de um bem-comum, que integra todos.

De seguida, iniciou o painel sobre Inclusão e Cultura de paz: colher brilhos nos olhos, com a intervenção da convidada Mafalda Ribeiro, jornalista de 34 anos, que vive com a “doença dos ossos de vidro”, ou osteogénese imperfeita. Começou por referir que “mais do que colher sorrir, aquilo que tento fazer é semear sorrisos”, enumerando uma série de iniciativas que dinamiza destinadas a públicos mais jovens em escolas, em empresas, congressos.

“A inclusão é muita coisa, não é só rampas, e cadeiras de rodas”, disse, notando que “destruir muros e criar pontes”, sensibilizando e educando os mais jovens, é “fácil” e acontece “se todos nos preocuparmos um bocadinho em dar uso à nossa identidade”.
“Eu não vos trago um projeto, trago-vos a única coisa que vos posso dar, que é a minha vida, colocar a minha vida e expô-la como uma montra ao serviço daquilo que vocês podem fazer”, disse Mafalda.

Também neste painel esteve presente Filipa Coelho, que apresentou o projeto Juntos Salvamos Mais Vidas, do Centro Humanitário de Torres Vedras da Cruz Vermelha Portuguesa, projeto que venceu o BPI Seniores 2016, e que pode ser replicado noutros centros humanitários do país, segundo notou a representante.
Por fim, Celeste Simão, vereadora com o pelouro da Ação Social da CMA, contextualizou o projeto Orçamento Participativo, que fez a ponte para a participação dos presidentes das Juntas de Freguesia de Rio de Moinhos e Fontes, Rui André e Sónia Alagoa, respetivamente. Aqui, falou-se numa das propostas vencedoras do OP2016 que consistiu numa proposta para a criação da Carrinha do Cidadão, um gabinete itinerante de apoio ao cidadão, nas freguesias da zona norte do concelho, mais distante da sede e com uma população muito envelhecida.

Sónia Alagoa referiu que o objetivo é o combate ao isolamento da população e solidão, uma vez que os próprios presidentes de junta são muitas vezes “psicólogos” ou “a servir de padre”, destacando que o projeto é uma mais-valia para a sua freguesia, “porque há situações muito caricatas e problemas muito graves de solidão, que eu pessoalmente não sei como se resolvem”, notou.

“A CM está adquirir a carrinha, e por isso, em breve irá começar as reuniões com todas as freguesias implicadas, Aldeia do Mato, Souto, Martinchel, Carvalhal, Fontes e Rio de Moinhos”, explicou Rui André.
O objetivo deste projeto é fazer visitas diárias semanais a vários locais da zona norte do concelho, vai ser planificado com os presidentes de junta, disponibilizando vários tipos de avaliações sociais, rastreios de saúde, memória.

As jornadas terminam esta quarta-feira com o painel Cidadania, Responsabilidade Social e Voluntariado, a partir do qual serão apresentados projetos como, a “Escola dos Sorrisos e do Esquecimento”, do Centro de Apoio a Idosos da freguesia de Rio de Moinhos, e o projeto Coordenadas para a Cidadania Global. Incluirá uma intervenção de representante da PEGOP e do operador de turismo solidário, “ImpacTrip”.

Um segundo painel terá como tema o “Impacto Social – mobilizar, partilhar e reforçar parcerias”, no qual serão apresentados os projetos Pay it Forward Portugal (em português conhecido como “Favores em cadeia”), o “Bairro ConVida” (Município de Abrantes), “Deixa o Bullying Só!”, um projeto de alerta e de prevenção do Bullying em contexto escolar, da autoria do músico João Só (que estará presente), desenvolvido em parceria com a empresa Betweien, Lda. (http://www.deixaobullyingso.com/) e a Carrinha da Cidadania.
As Jornadas culminarão com a realização de uma feira mostra sobre “Cooperação e Desenvolvimento” e com a presença no local da Carrinha da Cidadania, uma iniciativa da Secretaria de Estado para a Cidadania e Igualdade em parceria com a ANIMAR – Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Local.

PUB

2 COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here