Abrantes | Grupo de cidadãos em vigília apela à reintegração do padre Zé (C/VIDEO)

Cerca de 200 cidadãos apelaram este domingo em Abrantes à reintegração do padre José da Graça nas paróquias da cidade, depois de afastado em agosto pela Diocese por condenação judicial, para que o religioso possa “sair pela porta grande”. A vigília, ordeira e pacífica, decorreu no átrio da igreja de São Vicente, minutos antes da apresentação do padre Castanheira à comunidade, em cerimónia que também encheu o templo religioso.

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Domingos Chambel, porta-voz do Movimento Social de Apoio e Reconhecimento ao Cónego José da Graça (MOSAR-CJG), disse que a população que se juntou na vigília realizada esta tarde representa um “manifesto” da comunidade “que demonstra que o sr. Bispo está a proceder mal”, tendo apelado a que se encontre ainda uma “solução para uma transição pacífica” e para que o padre José da Graça, de 76 anos, 34 dos quais dedicados às paróquias de São João e de São Vicente, “possa sair pela porta grande”.

Segundo defendeu Chambel, o bispo “deveria congregar todos os interesses e criar harmonia entre a comunidade, e não é o que sucede”, tendo feito notar que o responsável pela diocese de Portalegre – Castelo Branco “está a tempo de falar connosco e com o cónego”, para que “as partes se juntem e encontrem uma solução que, não sendo perfeita, não enxovalhe, mas dignifique o padre” José da Graça.

“Estávamos preparados para uma transição pacífica, assim como o cónego José da Graça, que já tem uma idade avançada e se poderia reformar dentro de um ano ou dois, e isto poderia ter sido tudo pacífico”, notou, relativamente a um diferendo que está neste momento para apreciação na Congregação do Clero, em Roma.

Grupo de cidadãos em vigília apela à reintegração de padre afastado de Abrantes. Foto: mediotejo.net

Dirigindo-se aos presentes, Domingos Chambel disse que a comunidade “não deve obediência ao bispo, nem deve bajular ou andar curvada. Queremos que o padre continue os seus ofícios e quando sair de pároco tem de sair pela porta grande”, reiterou, perante os aplausos generalizados.

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Antonino Dias, tem rejeitado as pretensões destes cidadãos de Abrantes, que constituíram o MOSAR-CJG, e que tem apelado à reintegração do padre José da Graça, e nomeou o padre António Castanheira, de Alcains, para o substituir, tendo hoje tomado posse na Igreja de São Vicente enquanto Administrador Paroquial “sede plena” das paróquias que pertenciam ao antigo padre.

O processo de suspensão do padre José da Graça decorre da sua condenação, em 12 de junho, a cinco anos de prisão, com pena suspensa por igual período, pelos crimes de burla qualificada, burla tributária e falsificação de documentos, num esquema que terá lesado o Estado em cerca de 200 mil euros, através do Centro Social Interparoquial de Abrantes, instituição da qual era presidente.

Cerca de 200 cidadãos apelaram em Abrantes à reintegração do padre José da Graça nas paróquias da cidade, depois de afastado em agosto pela Diocese por condenação judicial, para que o religioso possa “sair pela porta grande”. Foto: mediotejo.net

Júlio Miguel, membro do MOSAR-CJG, ,disse ao mediotejo.net, por sua vez, que, por agora, há que “aguardar pelo recurso” interposto e, “mais tarde, a comunidade pensar em fazer uma homenagem ao cónego no final da carreira, que não sabemos se vai ocorrer já ou não, porque temos alguma expectativa” no recurso que decorre na Congregação do Clero.

“Temos alguma expectativa que a decisão possa ser contrária àquilo que o bispo pretende”, frisou, tendo feito notar que o que o MOSAR-CJG pretende é “reintegrar” [o cónego] para que seja homenageado [pelo trabalho desenvolvido em 34 anos] e que saia pela porta grande”.

Domingos Chambel, o porta-voz do grupo de cidadãos, disse ainda ter colocado junto da diocese a “possibilidade” de o padre Castanheira “vir [para Abrantes] e trabalhar em conjunto com o cónego José da Graça, posição que o Bispo rejeitou de imediato”, dando ainda conta de que, “esgotadas que foram as vias negociais (…) ao MOSAR-CJG não restava outra via senão acompanhar e apoiar, como sempre, a decisão do reverendo cónego José da Graça nas petições apresentadas e no recurso interposto para a Congregação do Clero, em Roma”.

Abrantes l Vigília pelo cónego José da Graça

Publicado por mediotejo.net em Domingo, 20 de outubro de 2019

Nestas circunstâncias, e enquanto se aguarda a resposta ao recurso instruído para a Congregação do Clero, o cónego José da Graça não perde o título de pároco nem o bispo pode nomear outro, mas deixa de ter qualquer responsabilidade nas paróquias em causa.

Neste contexto, o bispo diocesano anunciou a 15 de outubro, em comunicado, a nomeação de um Administrador Paroquial “sede plena” para as Paróquias de São Vicente e de São João, do Concelho e Arciprestado de Abrantes, precisamente o padre António Castanheira, ficando com os mesmos direitos e deveres de Pároco, até à resolução final do recurso hierárquico interposto.

Nessa mesma informação publicada na página ‘online’ da diocese, o bispo Antonino Dias deu conta dos problemas jurídicos em curso e da suspensão das eucaristias deste domingo nas paróquias de Abrantes, dia em que decorreu uma única celebração na Igreja de São Vicente, ao final da tarde, e em que o vigário geral da diocese, monsenhor Paulo Dias, apresentou o padre António Castanheira à comunidade, perante uma igreja repleta.

c/LUSA

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