Abrantes: Galeria de Arte vai ter obras, exposição permanente e muda de nome

Quartel - Galeria Municipal de Arte de Abrantes (Foto: CMAbrantes)

O executivo camarário de Abrantes aprovou na sua última reunião de Câmara, esta terça-feira, dia 24 de maio, a minuta do contrato de comodato a celebrar entre a autarquia e a MGRF – Imobiliária e Consultoria de Gestão, no âmbito do qual será feito o empréstimo da coleção de arte contemporânea Figueiredo Ribeiro que ficará em exposição permanente na Galeria Municipal de Arte – Quartel que depois passará a ter a designação de QUARCO – Quartel de Arte Contemporânea de Abrantes – Coleção Figueiredo Ribeiro.

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Luís Dias, vereador da Câmara Municipal de Abrantes com o pelouro da Cultura, começou por explicar que “este processo decorre de uma necessidade que nós temos de ampliação e de requalificação da nossa Galeria Municipal de Arte, uma vez que o antigo quartel dos bombeiros foi adaptado a uma nova filosofia de gestão e neste momento não se integra nas condições necessárias para acolher as obras de arte, seja ao nível da iluminação e da climatização, para além da necessidade de adaptação da cobertura do edifício que nunca foi suficientemente trabalhada”.

Na ocasião, o vereador responsável pelo pelouro da Cultura salientou ainda que este projeto de recuperação do edifício da Galeria Municipal de Arte foi inscrito nos Investimentos Territoriais Integrados (ITI) e “existe a possibilidade do seu financiamento, aliás está devidamente mapeado, e há uns meses surgiu a possibilidade de podermos acolher na nossa cidade uma coleção de arte contemporânea de elevadíssima qualidade e de largo espectro, porque são, até ao momento, 1355 obras inventariadas que poderão passar para mais 300 ou 400 findo o processo de inventário que está a ser feito pelo colecionador e por uma curadora especializada”.

“Esta relação com Fernando Figueiredo Ribeiro tem sido acompanhada pela presidente da autarquia, por mim, pelo Gabinete da Presidência com o apoio dos serviços jurídicos e surgiu a possibilidade dessa coleção de arte contemporânea passar a residir permanentemente em Abrantes uma vez que existe uma intenção de outros municípios de tentar acolher esta coleção de Fernando Figueiredo Ribeiro que tem conseguido construir uma coleção de arte digna de figurar nos melhores museus de arte contemporânea do país”, explicou Luís Dias, dando exemplos de diversas coleções privadas que passaram para a esfera pública, nomeadamente, em Tomar, “desde 2004 que está instalado o Núcleo de Arte Contemporânea José Augusto França que doou o seu espólio e que continua em exposição”.

“Isto acaba por ser um processo longo e que nós pretendemos ver firmado e pretendemos que a nossa Galeria Municipal de Arte não fique refém apenas da nossa programação cultural e passar a residir em Abrantes uma coleção privada de arte de inegável qualidade que está a ser avaliada, sendo este um processo longo”, salientou o vereador da Cultura.

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Avelino Manana (1º a contar da direita), vereador da CDU, votou contra a aprovação da minuta do contrato de comodato a celebrar entre a autarquia de Abrantes e a MGRF - Imobiliária e Consultoria de Gestão (Foto: mediotejo.net)
Avelino Manana (1º a contar da direita), vereador da CDU, votou contra a aprovação da minuta do contrato de comodato a celebrar entre a autarquia de Abrantes e a MGRF – Imobiliária e Consultoria de Gestão (Foto: mediotejo.net)

Avelino Manana, vereador da CDU, referiu que este processo “é uma mudança de paradigma na política cultural da Câmara Municipal de Abrantes, pelo menos no que diz respeito à Galeria Municipal de Arte, e é aí que divergimos porque é uma mudança de paradigma e até achamos estranheza quando se fala em contrato de comodato porque, na nosso opinião, isto não é só uma cedência de coleções, é um contrato que beneficia ambas as parte e estamos interessados em saber em que é que o Município de Abrantes beneficia disto”.

Avelino Manana questionou ainda “por que motivo é que há esta mudança de paradigma porque se, até agora, a política seguida na Galeria de Arte não deu os resultados pretendidos, achamos que deveria de vir a discussão para que todos os vereadores exponham as suas ideias e isso não foi feito, foi apresentado agora, para nós um pouco de surpresa”.

“Esta situação é uma mudança de paradigma porque o “conselho de administração” da galeria passa a ser da Câmara e da entidade privada, pela primeira vez, e isto é inédito, por isso dizemos que é uma mudança de paradigma”, sublinhou o vereador da CDU.

“Em termos das obrigações do município, são muitas e várias, desde a obrigação das obras, das apólices de seguros, a responsabilidade total das obras de arte, depois a entidade privada pode vender as obras de arte, podendo vir buscar em qualquer ocasião a obra de arte para a vender e aqui não estamos de acordo que a política de cultura seja assim e por isso votamos contra esta situação”, anunciou Avelino Manana.

Luís Dias explicou que “nós nunca assumimos que a Galeria de Arte não tem sido um êxito, o que percebemos é que os curadores nos levantam questões ao nível da climatização do edifício e as coleções de arte obedecem a registos de humidade relativa e de luz que não se adaptam àquele local”.

“Começámos a perceber que temos tido coleções valiosíssimas na Galeria de Arte e esta mudança de paradigma na gestão da Galeria faz com que nos libertemos de algumas complicações que vamos tendo em termos de programação, ficando ali com uma exposição permanente e também um espaço de exposições temporárias”, referiu Luís Dias salientando que as obras serão feitas no âmbito do financiamento comunitário.

Atualmente, a Galeria Municipal tem patente a exposição de arte contemporânea com obras da coleção privada de Luís Ferreira (Foto: CMAbrantes)
Atualmente, a Galeria Municipal tem patente a exposição de arte contemporânea com obras da coleção privada de Luís Ferreira (Foto: CMAbrantes)

E acrescenta que “aquilo que está em cima da mesa é: sempre que uma percentagem da coleção for vendida, há um ajuste por parte do colecionador para repor o número de obras de arte que são vendidas”.

Luís Dias assume que “há uma mudança de paradigma no que diz respeito à programação da galeria” e salienta que “o que é de relevar é a coleção e o facto de termos em Abrantes uma coleção de arte de inegável qualidade”.

Avelino Manana (CDU), que votou contra a aprovação da minuta do contrato de comodato entre a autarquia de Abrantes e a MGRF – Imobiliário e Consultoria de Gestão, concluiu chamando a atenção para o facto de o “protocolo proposto prevê 10 anos de novo paradigma, renováveis de três em três anos, e é quase ad eternum”.

As obras de recuperação da Galeria Municipal de Arte irão implicar trabalhos na cobertura, para além da ampliação do espaço na zona traseira do edifício.

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