Abrantes | Estão no Pego, de tradição e insígnia ao peito, os 25 confrades do Bucho e das Tripas (c/FOTOS)

Cerimónia de Entronização de Confrades da Confraria do Bucho e Tripas, Pego. Créditos: mediotejo.net

A Confraria do Bucho e Tripas do Pego (Abrantes) realizou a cerimónia do 1º Capítulo Interno, o primeiro ato oficial da Confraria, na Igreja de Santa Luzia, tendo a primeira confraria do concelho de Abrantes sido apadrinhada pela Confraria Gastronómica do Leitão da Bairrada. A entronização decorreu no sábado no âmbito do Festival Gastronómico “Reviver o Passado” que decorre na aldeia do Pego.

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A Confraria do Bucho e Tripas viveu o seu dia maior no sábado, dia 9 de novembro, no Pego. Com o primeiro ato oficial, a cerimónia que entronizou os confrades na Igreja de Santa Luzia, conduzida pelo padre Adelino Cardoso, a Confraria apresenta-se como uma voz ativa na defesa da gastronomia, do artesanato e dos produtos típicos da Aldeia das Casas Baixas. Sendo a primeira do concelho de Abrantes, a responsabilidade aumenta, mas o presidente da Assembleia Geral, António Moedas, conhece a vontade dos pegachos e impulsiona os confrades a cumprirem aquilo a que se propuseram.

“Não deixar que caia no esquecimento” o património gastronómico, tradicional e cultural do Pego, promovendo as gastronomia e o artesanato, é um dos principais objetivos, destacou, durante a cerimónia. Os 25 confrades, embora ao evento tivessem comparecido 24 por força de um elemento se encontrar emigrado na Suíça, foram apadrinhados pela Confraria Gastronómica do Leitão da Bairrada.

“A madrinha, é uma segunda mãe, alguém que está para ajudar, para orientar”, disse o padre, referindo-se à Confraria da Bairrada. “Uma confraria gastronómica deve preservar, divulgar e promover a gastronomia da zona mas pode ser sempre criativa”, considerou, antes de realizar a bênção das insígnias, alertando os confrades para algumas críticas que futuramente possam surgir mas incentivando a “prosseguir o caminho, olhar em frente e cumprir os objetivos que são nobres”.

Cerimónia de Entronização de Confrades da Confraria do Bucho e Tripas, Pego. Créditos: mediotejo.net

A Confraria do Bucho e Tripas quer colocar a freguesia do Pego no mapa das visitas gastronómicas do País. Aliás, o Pego já consta no mapa do Ribatejo, afamado como terra dos petiscos, mas a partir de agora irá mais além.

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Para isso, os confrades pensam em algumas iniciativas, desde logo o Festival Gastronómico “Reviver o Passado” no âmbito do qual decorreu a Cerimónia do 1º Capítulo Interno da nova entidade pegacha. Dois dias com vários ‘workshops’ e iniciativas ligadas às tradições da Aldeia das Casas Baixas, com petiscos, a tradicional matança do porco, folclore e arraial.

As entronizações são cerimónias públicas realizadas em ambiente adequado aos objetivos da Confraria. Este ritual designado como primeiro ato interno contou com o presidente da direção da confraria madrinha, António Duque, a entronizar os elementos que compõem os corpos sociais da Confraria do Bucho e Tripas, para de seguida o presidente da direção, Manuel Gil, e o presidente da Assembleia Geral, entronizarem os restantes elementos.

Os candidatos foram chamados, dirigiram-se até aos confrades da Confraria madrinha, ainda sem o capote vestido e o chapéu na mão, devido a um atraso nas entregas, mas com o traje, ao lado, num manequim para que todos pudessem conhecer a roupagem da Confraria pegacha. Aí foi-lhes imposta a insígnia, feito o juramento, entregue o diploma e o Livro de Honra assinado.

Cerimónia de Entronização de Confrades da Confraria do Bucho e Tripas, Pego. António Duque. Créditos: mediotejo.net

António Duque deu as boas vindas ao movimento, do qual faz parte a Confraria Gastronómica do Leitão da Bairrada quase há 25 anos, a completar em 2020, com o lema “unidos somos mais fortes”, sugerido pelo responsável para ser abraçado pela Confraria do Bucho e Tripas.

“Nós que vestimos esta capa estamos preparadas para a crítica”, disse, no seguimento das palavras do padre Adelino Cardoso. António Duque lembrou que há 25 anos existiam apenas 8 confrarias em Portugal e atualmente são mais de 200. E lançou um desafio ao presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Manuel Valamatos, presente na cerimónia.

O concelho “merece uma Confraria da Palha de Abrantes”, opinou, acrescentando que “todos temos de dar o máximo, e além disso dinheiro, que custa muito”, gracejou. “Por isso, a porta aberta da autarquia é muito importante para o desenvolvimento do trabalho”, defendeu.

Uma tarefa que será trajada com as cores do Pego, azul e amarelo. Os confrades vestem um capote azul abotoado com alamares dourados, complementado por um chapéu de abas igualmente azul, ornamentado por uma fita amarela. Traje inspirado nas típicas vestes pegachas, documentos históricos de outros tempos, preservados pelo Rancho Folclórico da Casa do Povo do Pego.

Cerimónia de Entronização de Confrades da Confraria do Bucho e Tripas, Pego. Presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Valamatos. Créditos: mediotejo.net

A Confraria do Bucho e Tripas irá “levar aos quatro cantos de Portugal o vosso artesanato e gastronomia, muitos portugueses não têm noção do que são tripas”, notou António Duque, manifestando agradecimento pela Confraria da Bairrada ter apadrinhado a Confraria pegacha. “Queremos fazer convosco uma caminhada e estamos convosco incondicionalmente”, assegurou.

A presidente da Junta de Freguesia do Pego, Florinda Salgueiro, assumindo a autarquia como entidade “parceira” da Confraria, considerou a cerimónia “o primeiro dia de um infinito” do renovar das tradições pegachas. Enquanto o presidente do Município, Manuel Valamatos, manifestou “orgulho” em participar “numa ação para promover o que de melhor se faz” no Pego. A Confraria “era um sonho” que passará pelo “trabalho de levar mais longe a tradição do bucho e tripas que nos é tão querida”, referiu.

Finda a cerimónia, todos os Confrades e convidados formaram em cortejo, seguindo a pé até às instalações da Junta de Freguesia do Pego onde se realizou um almoço que iniciou com o fandango e outras danças do Rancho Folclórico da Casa do Povo do Pego.

Cerimónia de Entronização de Confrades da Confraria do Bucho e Tripas, Pego. Créditos: mediotejo.net

Entre os muitos confrades, integram os corpos sociais da Confraria na Direção como presidente Manuel Gil, como vice-presidente Manuel Luiz Correia, como tesoureiro Paulo Marcos e na tarefa de secretário Maria Helena Marques, como suplentes Patrícia Carlos e André Serrano. Constituem a Assembleia Geral da Confraria António Moedas, como presidente, Ana Maria Brás, como vice-presidente, e Manuel Coxinho, como secretário. Carla Moedas é a presidente do conselho fiscal, Joaquim Rosa e Carlos Falcão os vogais.

A Cerimónia do 2º Capitulo, para imposição do capote, ainda não tem data marcada, mas segundo Manuel Gil decorrerá em breve.

Sobre a Confraria do Bucho e Tripas
Considerando a secular tradição pegacha ligada em torno de um prato típico como é o Bucho e Tripas, a Confraria visa promover, através de eventos, a divulgação e preservação do património gastronómico local. Todos os recursos utilizados e respetivas formas de uso, constituem o prato de uma determinada região. Os ingredientes, instrumentos utilizados e o modo de confeção contribuem para a construção da identidade de um povo.

Também de valorizar e não menos importante, é toda a história, tradições, crenças e vivências deste povo pegacho, uma vez que o prato tem por base todos estes fatores que o tornam único e diferenciador.

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