Abrantes | Erradicar a vespa asiática “é impossível”, solução passa pela localização de ninhos, diz especialista (C/VIDEO)

Iniciativa da Associação dos Agricultores dos Concelhos de Abrantes, Constância, Sardoal e Mação sobre a vespa asiática. Foto: mediotejo.net

A Associação dos Agricultores dos Concelhos de Abrantes, Constância, Sardoal e Mação promoveu na terça-feira, dia 30 de outubro, uma Ação de Sensibilização sobre a vespa velutina (asiática), em Abrantes, que teve como palestrante Henrique Pereira da Universidade de Coimbra. O objetivo da sessão passou por ajudar na identificação da vespa e como proceder em caso de encontrar um ninho. Uma coisa é certa. A erradicação da vespa é impossível e a solução é mitigar o problema, identificando e destruindo os ninhos da espécie invasora. A vespa, que já anda em Gavião, Mação e na região, poderá mesmo ter ninhos criados dentro da cidade de Abrantes no próximo ano, alerta o especialista.

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A vespa asiática chegou à região do Médio Tejo e veio para ficar. O problema “já não é dos apicultores, trata-se de um caso de saúde pública e de proteção de ecossistemas”. O Gestor de Ciência do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra, Henrique Azevedo Pereira, afirma que erradicar o problema ou exterminar a vespa asiática “é impossível!” por isso importa conseguir controlar o aparecimento de mais ninhos desta espécie invasora, que primeiramente (em 2011) chegou ao Norte do País, depressa passou para o Centro e já está no Sul.

Recentemente foram referenciados ninhos no concelho de Gavião (Alto Alentejo) e dá conta Henrique Pereira de terem sido avistadas vespas asiáticas noutras regiões do Alentejo, a par de relatos nos concelhos de Mação, Abrantes, Sardoal e outros na região do Médio Tejo.

Significa isto que “os ninhos estão perto, porque uma vespa asiática afasta-se do vespeiro na procura de alimento até três, quatro quilómetros”, explica o especialista, que refere que para o ano poderão existir ninhos dentro da própria cidade de Abrantes.

Abrantes | Erradicar a vespa asiática "é impossível”, solução passa pela localização de ninhos, diz especialista (C/VIDEO)
Iniciativa da Associação dos Agricultores dos Concelhos de Abrantes, Constância, Sardoal e Mação sobre a vespa asiática. Henrique Pereira, Luís Damas e Inês Mariano

O objetivo da iniciativa da Associação dos Agricultores dos Concelhos de Abrantes, Constância, Sardoal e Mação passou precisamente por sensibilizar apicultores e agricultores para o problema da vespa velutina que em Portugal apresenta-se com patas amarelas e tórax negro, diferente da nativa vespa crabro que é ligeiramente maior que a asiática mas causadora de danos “mil vezes inferiores”, garante Henrique Azevedo Pereira.

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O maior impacto, para além da saúde pública, é na economia, não só dos produtos resultantes da colmeia mas porque “a asiática também se alimenta de fruta”. Notou que 75% das culturas de vegetais dependem da polinização e existe atualmente “um decréscimo claro de polinizadores”. À escala mundial o valor da polinização equivale a 235 mil milhões de dólares (números de 2016).

Veja aqui as declarações de Henrique Azevedo Pereira:

Abrantes/ Ação de sensibilização sobre a vespa velutina (asiática). Henrique Pereira gestor de ciência da Universidade de Coimbra e especialista na área diz que o extermínio é impossível e terá impacto económico.

Publicado por mediotejo.net em Terça-feira, 30 de Outubro de 2018

E se na cidade do Porto registam-se anualmente “800 ninhos”, afirma Henrique Pereira, em Coimbra existem vários casos, o Gestor de Ciência acredita que, devido à velocidade de propagação e proliferação da espécie, “para o ano terão ninhos de vespa asiática dentro da cidade de Abrantes”.

Daí a importância da deteção primária dos mesmos, para atuar antes que as rainhas abandonem o ninho secundário para formar novos ninhos.

Uma vez nas cidades, o facto desta espécie fazer ninho próximo de habitações (telhados, alpendres, garagens, churrasqueiras) leva a que as pessoas tentem eliminá-las sem recurso às autoridades competentes, o que além de perigoso “é errado!” uma vez que uma deficiente gestão de controlo pode aumentar a proliferação dos ninhos.

A razão, explica, deve-se à destruição dos ninhos mas não das vespas que abandonam o ninho destruído para criar outros. Por isso, a importância da eliminação dos vespeiros ficar reservada à Proteção Civil e aos bombeiros, sendo o primeiro passo, ao avistar um ninho de vespa asiática – que difere do ninho da vespa crabro por ter entradas laterais e não no fundo do vespeiro – dar conta do mesmo na plataforma online SOS Vespa do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas. De seguida a Proteção Civil do município será informada. Caso não tenha acesso à Internet basta contactar um agente da Proteção Civil.

A formação para neutralizar os ninhos – quer primários quer secundários embora estes últimos mais perigosos podendo albergar, cada um, até três mil vespas de onde podem sair 150 novas rainhas – “é essencial” considerou Henrique Azevedo Pereira.

Por seu lado, Inês Mariano, coordenadora municipal da Proteção Civil de Abrantes reconheceu a falta de preparação dos agentes de Proteção Civil, nomeadamente dos bombeiros.

“Não estamos de todo preparados para detetar e neutralizar ninhos” de vespa velutina, afirmou. Considerando importante a formação – “principalmente para os sapadores” -, disse ser urgente constituir uma equipa para a destruição dos ninhos. No mesmo sentido foram as palavras de Luís Damas, presidente da Associação, indicando que a coletividade equaciona criar uma equipa de combate à vespa asiática.

Abrantes | Erradicar a vespa asiática "é impossível”, solução passa pela localização de ninhos, diz especialista (C/VIDEO)
Iniciativa da Associação dos Agricultores dos Concelhos de Abrantes, Constância, Sardoal e Mação sobre a vespa asiática. Créditos: DR

“Neste momento não há solução!” vinca Henrique Pereira. E se a erradicação é uma missão impossível “temos de aprender a controlar”, explicando que a ação de controlo deve decorrer “sempre à noite, de preferência de madrugada, para termos a certeza que estão todas as vespas no ninho, ensacar o ninho e pegar-lhe fogo”.

Na operação importa usar fatos especiais tendo em conta que o ferrão da vespa é “extremamente fininho e tem três centímetros”, usar óculos de proteção “porque a vespa cospe e o veneno é corrosivo”, e botas altas grossas. Num adulto saudável não alérgico “20 a 25 picadas pode matar”, refere, sendo que “cada vespa pode matar cerca de 20 abelhas por minuto” ou seja, com “alimentação voraz em apiário”.

Ao nível das entidades governamentais, Henrique Azevedo Pereira alerta para a “falta de consciencialização” do impacto desta espécie. Por isso, apela às sensibilização e defende urgência na atribuição de ferramentas às autoridades locais.

A ação que encheu o auditório do Edifício Pirâmide em Abrantes, teve como objetivo ajudar na identificação da vespa e explicar o processo para a sua remoção e extinção.

A vespa velutina é uma espécie não-indígena, predadora da abelha europeia (Apis mellifera), encontrando-se, até há pouco tempo, circunscrita a concelhos do Norte e Centro do País. Esta vespa asiática, proveniente de regiões tropicais e subtropicais do norte da India, do leste da China, da Indochina e do arquipélago da Indonésia, ocorre nas zonas montanhosas e mais frescas da sua área de distribuição.

Um problema que a todos importa consciencializar sendo que todos os ninhos detetados devem ser participados ao bombeiros da sua área de residência.

Abrantes | Erradicar a vespa asiática "é impossível”, solução passa pela localização de ninhos, diz especialista (C/VIDEO)
Iniciativa da Associação dos Agricultores dos Concelhos de Abrantes, Constância, Sardoal e Mação sobre a vespa asiática.

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