Abrantes | Encontro de Boccia juntou 107 pessoas em ação desportiva de inclusão social

Primeiro encontro de Boccia do CRIA no Pavilhão Desportivo Municipal do Pego. créditos: mediotejo.net

O I Encontro de Boccia organizado pelo CRIA decorreu esta quarta-feira, no Pavilhão Municipal do Pego. Uma iniciativa inserida no calendário anual da Associação de Desporto Especial de Santarém – ADES. O encontro contou com a presença de 12 instituições, 73 utentes, 34 colaboradores, num total 107 pessoas.

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O Boccia é uma modalidade desportiva com raízes num jogo da antiga Grécia, que progrediu através do Império Romano, originando uma multiplicidade de jogos. Foi introduzido em Portugal em 1983, durante um curso organizado pela APPC (Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral), sendo, em 1984, integrado o programa dos Jogos Paralímpicos.

Mas, na sua versão atual, esta modalidade é mais que uma atividade desportiva. Com a sua prática é possível socializar e integrar, dois dos principais objetivos do CRIA – Centro de Recuperação e Integração de Abrantes, ao promover I Encontro de Boccia que decorreu esta quarta-feira no Pavilhão Municipal do Pego.

Primeiro encontro de Boccia do CRIA no Pavilhão Desportivo Municipal do Pego. créditos: mediotejo.net

Isto porque o Boccia está associado a pessoas com deficiência seja ela cognitiva ou motora, embora possa ser praticado também por não portadores, como comprovam as práticas de implementação em atividades direcionadas à população idosa, como o Boccia Sénior, e até entre a população escolar.

Com esta prática desportiva o CRIA, tal como as 12 instituições convidadas a participar neste primeiro Encontro, pretende fomentar o convívio, a participação e integração dos seus utentes, numa modalidade adequada às suas capacidades físicas e cognitivas.

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Este I Encontro surge no âmbito calendário anual da Associação de Desporto Especial de Santarém – ADES, “onde todas as instituições têm de realizar uma atividade anual”, disse ao mediotejo.net Diogo Rosado, técnico responsável pelo Desporto no CRIA, dando conta de outras modalidades como o triatlo ou o futebol. No CRIA “ organizamos o encontro de Boccia”, explica.

Primeiro encontro de Boccia do CRIA no Pavilhão Desportivo Municipal do Pego. Diogo Rosado. créditos: mediotejo.net

E na iniciativa estiveram presentes instituições de três distritos. Além da anfitriã CRIA de Abrantes, o Bom Samaritano de Fátima, APPACDM de Santarém, CIAL de Almeirim, CRIFZ de Ferreira do Zêzere, CRIT de Torres Novas, CEEONINHO de Rio Maior, CIRE de Tomar, CRIO de Ourém, APPACDM da Sertã, AACCB de Castelo Branco e CRIPS de Ponte de Sor.

O Boccia apresenta-se como uma das atividades em que as pessoas com deficiência “se sentem integradas e conseguem às vezes jogar melhor do que as pessoas ditas normais. Ficam bastante contentes por estarem aqui e podem conviver com outras instituições. O principal intuito não é a competição mas o convívio” diz Diogo Rosado.

Os utentes do CRIA praticam Boccia três vezes por semana e “adoram! Estão sempre à espera das duas horas, à terça, quinta e sexta, para treinar” acrescenta o responsável. Dentro do campo jogou-se por equipas, sempre com um sorriso no rosto. “Não importa se perdem se ganham!”, assegura Diogo.

Primeiro encontro de Boccia do CRIA no Pavilhão Desportivo Municipal do Pego. créditos: mediotejo.net

Depois do primeiro Encontro outros encontros seguramente surgirão. “Sim, é para continuar. Em conversa com outros técnicos do distrito de Castelo Branco percebemos que seria bom e estamos a pensar realizar um encontro por mês em cada uma das instituições”, indica o técnico.

Para Diogo “a prática da modalidade é essencial, mas o que vem com ela como o convívio, a troca de experiências, todos nós melhoramos, não só os técnicos mas também os nossos utentes que cada vez jogam melhor”, reforçou.

Presente na iniciativa esteve também o vereador da Câmara Municipal de Abrantes, Luís Dias, responsável pela área do Desporto que destacou ao nosso jornal a “inclusão social e a promoção de bons hábitos”.

Primeiro encontro de Boccia do CRIA no Pavilhão Desportivo Municipal do Pego. créditos: mediotejo.net

Para os técnicos, a atividade física proporciona aos participantes condições de otimização das suas capacidades funcionais, tendo como fim último a integração na sociedade.

O Desporto “é este fenómeno social que chega a todos que não permite criar qualquer tipo de obstáculo e ver este encontro de Boccia organizado pelo CRIA no Pavilhão Municipal do Pego é uma lufada de ar fresco” considerou Luís Dias.

O vereador lembrou que o Boccia, entre os desportos paralímpicos, “é a modalidade mais premiada de todas. E pensar que temos um conjunto não só de técnicos habilitados e perceber que há treinadores de outras instituições que também são de Abrantes, o que repercute aquilo que é a capacitação dos formadores”.

Primeiro encontro de Boccia do CRIA no Pavilhão Desportivo Municipal do Pego. Vereador Luís Dias. créditos: mediotejo.net

Além disso, na lógica na educação pelo desporto, “é desporto para todos!” afirmou, notando que também “o desporto escolar está mobilizado para o Boccia. Percebemos que nas escolas se pensa nas dificuldades que estes atletas têm e no talento, no equilíbrio e na destreza e na própria sensibilidade que é necessária para jogar”.

Para Luís Dias esta modalidade causa efeitos positivos nos praticantes. “Creio que, quer do ponto de vista cognitivo quer do ponto de vista físico, há uma maior mobilidade e efetivamente quando a cabeça fica a pensar qual o grau de intensidade que tem de dar a uma bola há seguramente um conjunto de mecanismos neurológicos que estão a funcionar e isso potencia tudo. Do ponto de vista muscular, mental, cognitivo e do ponto de vista social porque estão integrados e vão-se conhecendo uns aos outros e esse é o maior valor”, considerou, reconhecendo que o CRIA “faz um ótimo trabalho” na modalidade do Boccia.

Primeiro encontro de Boccia do CRIA no Pavilhão Desportivo Municipal do Pego. créditos: mediotejo.net

O objetivo deste desporto é colocar as bolas de cor (seis azuis contra seis vermelhas) o mais perto possível de uma bola alvo (branca), que é lançada estrategicamente por um primeiro jogador, para dentro do recinto de jogo.

Não há limite de idade para a prática da modalidade e é um jogo misto. Os recursos materiais, assim como as Regras de Boccia foram adaptadas, de forma a possibilitar a prática a pessoas que tenham dificuldades motoras.

O encontro contou com a presença de 12 instituição, 73 utentes, 34 colaboradores no total 107 pessoas. Após o almoço no CRIA foram entregues lembranças a todos os desportistas.

Primeiro encontro de Boccia do CRIA no Pavilhão Desportivo Municipal do Pego. créditos: mediotejo.net
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