Abrantes | Da apanha do cacau à tablete de chocolate, do trabalho escravo à água na boca

Japonesa Tomoko Sugae servindo o chocolate de Cacau com flor de Sal para degustação Foto: mediotejo.net

Na “Academia do Mercado”, no dia 18 de março, em Abrantes, Suzana Tavares e Tomoko Sugae, criadoras da “Feitoria do Cacao”  em 2014,  explicaram e partilharam as particularidades do chocolate com os clientes do mercado semanal, desde a colheita do cacau até à tablete de chocolate.

PUB

Suzana Tavares começou por chamar a atenção para a utilização do trabalho “infantil escravo” nos principais países produtores de cacau, dando o exemplo da Costa do Marfim, país que detém 70% da produção da matéria prima do chocolate, em todo o mundo, e tendo lembrado que antes do chocolate chegar à forma comestível muitas pessoas trabalharam no duro para tal. Espantada, a produtora de chocolate, que diz acompanhar o processo desde a colheita do fruto até a parte final, declarou ser inacreditável que “em pleno ano 2017, o trabalho escravo ainda seja utilizado”.

Muitas pessoas não faziam ideia como era o fruto, ou, como foi chamado por Suzana, a “cápsula do Cacau”. Além de passar slides com fotos das plantações, das colheitas e das diversas variedades, ainda levaram um fruto para que todos pudessem ver e mexer.

Abrantes | Da apanha do cacau à tablete de chocolate, do trabalho escravo à água na boca
O fruto do cacau sendo observados pelos participantes da academia do mercado Foto: mediotejo.net

“Só se torra demais o Cacau quando se quer esconder alguma coisa, bolor por exemplo, porque depois o cacau só vai saber a torrado”, explicou a empresária do ramo dos chocolates. De acordo com a especialista, o fruto tem o tempo certo de colheita e depois de ser apanhado, as sementes, ainda envolvidas numa polpa branca, são extraídas e passam por um processo de fermentação e em seguida vão para a secagem. “A secagem na maior parte dos países é feita ao sol”, observou.

Num pote de vidro foram oferecidos os grãos torrados para degustação. Com uma cara de quem não gostou uma das pessoas presentes disse, “amargo” e a outra logo ao lado falou, “sabe bem”.

A moagem das sementes torradas e sem casca foi realizada numa máquina pequena, mas que é capaz de produzir 4 Kg de chocolate. Assim que começou o processo foi acrescentado também uma parte de manteiga de cacau. O açúcar branco, também foi utilizado na mistura. O açúcar branco é utilizado por duas razões , primeiro por não acrescentar nenhum outro sabor ao chocolate, e a segunda por não conter humidade, pois a maior parte do cacau é composta por gordura e se houver qualquer tipo de humidade seria como “misturar água e óleo”, segundo Suzana.

Abrantes | Da apanha do cacau à tablete de chocolate, do trabalho escravo à água na boca
Moagem e Mistura da manteiga de cacau e a semente torrada e o açúcar Foto: mediotejo.net

Tomoko, enquanto a máquina trabalhava e Suzana terminava de inserir os ingredientes, explicou que o chocolate precisa de ser bem curado. Segurou numa tablete e partiu, e o barulho “plac” soou. Segundo a japonesa, o chocolate, quando passa pela temperatura e tempo adequado, precisa fazer esse barulho ao ser partido.

Numa tábua, já com quatro tipos do produto diferente, cortados aos quadradinhos, serviu a todos para degustação. Chocolate negro com Flor de Sal, Chocolate ao Leite de Ovelha, e Chocolate Negro foram alguns sabores oferecidos.

Enquanto isso a mistura na máquina já estava pronta e os comentários como, “já está a cheirar”, foi comum a todos os participantes.

Abrantes | Da apanha do cacau à tablete de chocolate, do trabalho escravo à água na boca
Textura do chocolate feito na hora Foto: mediotejo.net

Entre um panorama de fundo a respeito da produção de um dos frutos mais cobiçados, tanto pela industria dos chocolate como pela de cosmética, quanto ao processo de extração da manteiga e da torragem feita pelos países produtores do fruto foi esclarecida a curiosidade de muitos que ali estavam. O cacau pode ser encontrado em pó, em barra, em forma de manteiga e de outras maneiras.

Lembrando do tipo de trabalho ainda explorado nos dias de hoje pelas grandes industrias que utilizam o cacau, as profissionais despediram-se de Abrantes e encerraram a apresentação de um dos produtos mais apreciados e comum em todo o mundo, o “famoso chocolate”, deixando um travo doce na boca dos presentes.

 

 

DEIXAR UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here