Abrantes | ‘Comissão de Acompanhamento do caso Jorge Ferreira Dias’ rejeitada por maioria

Jorge Ferreira Dias na câmara municipal de Abrantes em declarações aos jornalistas. Créditos: Paulo Jorge de Sousa

O PSD propôs uma moção “Para a criação de uma Comissão de Acompanhamento do caso Jorge Ferreira Dias” que acabou chumbada pela maioria socialista na última Assembleia Municipal. O presidente da Câmara, Manuel Valamatos (PS) entende tratar-se de um caso que não deve ser partidarizado ou politizado. A proposta do PSD mereceu votos favoráveis do PSD e do BE e abstenção da CDU.

O grupo municipal do Partido Social Democrata propôs na última Assembleia Municipal de Abrantes que fosse criada uma comissão de acompanhamento do caso Jorge Ferreira Dias versus Município de Abrantes. Tal Comissão deveria analisar e estudar “todos os documentos que dizem respeito aos processos, sejam estes administrativos e/ou judiciais, em que intervêm, direta ou indiretamente, o município de Abrantes e o senhor Jorge Ferreira Dias e as suas empresas”, lê-se na moção.

A bancada do PSD considera “notório e de conhecimento alargado que o munícipe Jorge Ferreira Dias vem, ao longo dos anos, acusando diversos executivos camarários de práticas deliberadas, ilícitas e até criminosas que lhe arruinaram a sua vida pessoal e profissional, conduzindo-o a uma situação de pobreza”.

Além disso, defende o PSD, “não se pode ignorar que estas veementes imputações desembocaram numa reportagem televisiva que causou intenso clamor no nosso concelho – bem como no País –, manchando-lhe a imagem”, afirmou o deputado municipal João Salvador Fernandes, acrescentando que tal reportagem “obrigou o presidente da Câmara a publicar um vídeo com o propósito de desmentir as acusações do senhor Jorge Ferreira Dias”.

Sessão de Assembleia Municipal de Abrantes. Créditos: mediotejo.net

Para o PSD, a Assembleia Municipal de Abrantes, quanto a este assunto, “tem de ser mais incisiva no seu papel fiscalizador da atividade do executivo camarário”.

PUB

E dessa forma, a Comissão deveria também analisar e estudar “todos os documentos relativos a processos administrativos e/ou judiciais que, mesmo não envolvendo direta e/ou indiretamente o senhor Jorge Ferreira Dias e as suas empresas, se enquadrem na versão dos acontecimentos narrada pelo mencionado munícipe”.

E ainda determinar “quem são as pessoas relevantes para o apuramento da veracidade dos factos em questão, ouvindo-as se estas estiverem disponíveis para o efeito”. Finalmente, acompanhar “os novos desenvolvimentos que venham a ocorrer no âmbito deste caso e produza um relatório com as conclusões dos seus estudos e análises”.

Mas o presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, considera esta comissão “política” e entende que Jorge Ferreira Dias “não merece que o caso seja partidarizado ou politizado. É muito mau!”, afirmou o autarca.

Lembrou a existência de um processo pendente em tribunal e serem tais órgãos judicias com competência para decidir. Assinalou ainda que o munícipe tem sido recebido pelo presidente da Câmara, avançando que esta quarta-feira, dia 2 de outubro decorrerá uma reunião com Jorge Ferreira Dias, o executivo camarário, vereadores, técnicos e juristas da Câmara.

Manuel Valamatos considera ser um assunto para tratar “com cuidado, bom senso e não misturar com questões politico-partidárias”.

O deputado do PSD, João Salvador Fernandes, insiste “ver um problema e querer acompanhá-lo”, lembrando que a Assembleia é um órgão fiscalizador e que não existe para “pôr um carimbo” nas decisões do executivo, não aceitando que “o centro da democracia seja menorizado”.

Da parte do Bloco de Esquerda, Pedro Grave recordou Manuel Valamatos que “os deputados também são idóneos” considerando “toda a validade em que esta entidade ou uma comissão por ela criada faça esse género de acompanhamento garantindo todas as condições necessárias para acompanhar todos os processos em curso. Pode ser competência” da Assembleia Municipal.

Por seu lado, o presidente da Junta de Freguesia de Rio de Moinhos, Rui André, notou que a comissão integrava elementos do PSD, PS e BE, ficando de fora a CDU e o MIFRI, sem representação. “Se quiserem que haja justiça a nível do acompanhamento na casa da democracia, que todos estejam representados” disse.

A discussão da proposta do PSD ainda suscitou uma defesa da honra por parte do vereador social democrata, Rui Santos, após o deputado socialista Jorge Beirão ter por duas vezes referido a existência de três PSD no concelho: na vereação, na bancada da Assembleia Municipal e na concelhia, sugerindo, no entender do vereador do PSD, que a proposta da bancada social democrata desvalorizava a presença de Rui Santos na reunião camarária no dia 2 de outubro.

Jorge Ferreira Dias é presença assídua nas sessões de Assembleia Municipal. Créditos: mediotejo.net

No final da sessão, durante a intervenção do público, o munícipe Jorge Ferreira Dias pediu a palavra para lembrar que é presença assídua nas Assembleias Municipais há muitos anos “e nunca quiseram saber de nada daquilo que eu disse. O meu caso é muito mais grave do que aquilo que passou na televisão. Os senhores aqui presentes, Manuel dos Santos sabe a minha história, nunca fez nada tem de ser chamado à responsabilidade, António Mor também sabe, Manuel Valamatos também sabe que me acompanha há muitos anos”, afirmou.

Insistindo no seu “grave” caso, indicou “falsificação de documentos, burla, favorecimento a empresas. Reclamei sempre com documentos, ainda há pouco tempo entreguei um documento de muita responsabilidade a António Mor. Porque a Mercar se calhar não fez asneira nenhuma, quem fez asneira grande foi a Câmara. A Câmara é dona de 20% da Mercar e mais grave é que a Mercar recebe terrenos da Câmara no valor de um milhão e 800 mil euros, e estes senhores todos sabem, têm de ser chamados à responsabilidade. O caso que passou na televisão é tudo verdade, não há um ponto que seja mentira. Tenho documentos para provar”, garantiu, dizendo ter ainda provas que “o presidente foi enganado”.

A proposta do PSD mereceu votos favoráveis do PSD e do BE e abstenção da CDU, acabando rejeitada pela maioria do PS.

PUB

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here