Abrantes | Câmara reforça capital da Tagusvalley para projeto de dois milhões de euros no Parque Tecnológico

Reunião de Câmara Municipal de Abrantes. A vereadora Paula Grijó apresenta o projeto para o Parque de Ciência e Tecnologia de Abrantes. Créditos. mediotejo.net

A Tagusvalley vai ter um reforço de capital de 320 mil euros, a componente nacional assumida pela Câmara Municipal de Abrantes para a realização de um projeto com valor superior a dois milhões de euros. Este visa a construção de novas infraestruturas e potenciar os laboratórios existentes no Parque Tecnológico do Vale do Tejo. O projeto, candidato a fundos comunitários, foi apresentado pela vereadora Paula Grijó na última reunião de executivo, e o reforço de capital aprovado pela maioria socialista contou com o voto contra do vereador do Bloco de Esquerda, Armindo Silveira, e a abstenção do vereador do Partido Social Democrata, Rui Santos.

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A Câmara Municipal de Abrantes aprovou, por maioria, o reforço de capital da Tagusvalley, entidade gestora do Parque Tecnológico do Vale do Tejo, a realizar através da aquisição de 64 unidades de participação. Trata-se de 320 mil euros, a componente nacional assumida pela Câmara para a realização de um projeto com valor de dois milhões e 158 mil euros visando construção de novas infraestruturas e potenciar os laboratórios existentes no Parque de Ciência e Tecnologia de Abrantes.

Trata-se de uma candidatura, já submetida, ao Portugal 2020 destinado a “infraestruturas tecnológicas da região Centro, que foi alvo de um mapeamento prévio pela Agência Nacional de Investigação, e que identificou o projeto ‘Tagusvalley 2030′”, explicou a vereadora socialista Paula Grijó ao mediotejo.net.

Reflete “a visão que temos para o crescimento do Parque e assenta, em termos de investimentos, em infraestruturas inseridas em duas grandes áreas: os centro de valorização e transferência de conhecimento, nomeadamente no Inove Linea, laboratório de transformação agroalimentar, e no Line, laboratório de inovação empresarial”, especificou a responsável.

“Estamos a falar de investimentos que vão permitir potenciar ainda mais o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido, sobretudo na capacidade de melhor respondermos às reais necessidades das empresas, falamos de laboratórios de investigação aplicada”, notou.

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Por outro lado pretende-se “promover o investimento ao nível do acolhimento empresarial para completar o leque de acolhimento que já existe no Parque”.

Assim, serão criados “mais 2400 metros quadrados de área de acolhimento empresarial, 900 metros quadrados num edifício que vai ser construído de raiz, um dos primeiros aceleradores de empresas. E depois mais 1500 metros quadrados de acolhimento especificamente vocacionados para empresas de base tecnológica, o IT Point que vai permitir a requalificação de parte do edifício conhecido como o pavilhão das feiras.

A outra parte será também requalificada para albergar em definitivo a Escola Superior de Tecnologia de Abrantes (ESTA). Um outro projeto que não está nesta candidatura”, referiu.

A forma como o Partido Socialista visiona o crescimento do Parque Tecnológico do Vale do Tejo num futuro que o Executivo quer breve, segundo a vereadora Paula Grijó, passa então pelo projeto ‘Tagusvalley 2030’ que inclui duas grandes áreas: a já referida instalação definitiva da ESTA, e a outra pela candidatura entretanto apresentada.

“O que o projeto propõe é o nosso plano de investimento em infraestruturas, que acreditamos necessárias para completar o leque já diversificado mas ainda não completo de acolhimento empresarial que existe no Parque e também algumas intervenções nos laboratórios no sentido de os dotar de potencial acrescido”.

Apresentação do projeto para o Parque de Ciência e Tecnologia de Abrantes. Instalações da ESTA. Créditos. mediotejo.net

A aquisição de 64 unidades de participação “foi a forma encontrada para a componente nacional – os 320 mil –” sendo a Câmara Municipal de Abrantes, de todos os associados, a entidade que detém a maioria das ações.

Para o executivo trata-se de um projeto “estratégico que permite o IT Point para dar resposta a alguns investidores interessados que acabou por não se verificar por não existir este tipo de infraestrutura. Uma intervenção relativamente minimalista, por dentro o edifício pode ser dividido por cada investidor. E falamos na criação de postos de trabalho”, reforçou Paula Grijó.

O reforço de capital mereceu o voto contra do vereador do Bloco de Esquerda, Armindo Silveira, e a abstenção do vereador do Partido Social Democrata, Rui Santos.

O eleito pelo BE alega o desconhecimento do “orçamento nem a prestação de contas ou o plano de atividades da Tagusvalley. Sabemos apenas que cerca de 80% das despesas são para vencimentos e que no ano de 2018 acumulou uma dívida bruta de cerca de 404.867 euros”.

Apresentação do projeto para o Parque de Ciência e Tecnologia de Abrantes. Novo edifício IT Point. Créditos. mediotejo.net

Armindo Silveira afirmou que o executivo utiliza regularmente “o expediente de aquisição de unidades de participação para financiar esta associação de direito privado. Talvez o valor destes financiamentos já ultrapasse os dois milhões de euros”.

Defendeu, por isso, um estudo de viabilidade económica versus retorno deste projeto, uma vez que entende que a construção de mais edifícios “irá aumentar os custos de manutenção e despesas inerentes ao seu financiamento” tendo afirmado que a Tagusvalley “não consegue gerar receita para se autosustentar” e questionando um projeto “cujo retorno é de difícil verificação”.

Por último, o BE diz não compreender “como é que o executivo não exigiu à Tagusvalley os documentos de suporte que permitam aferir onde vai ser aplicado esta verba”.

Em resposta, o presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Manuel Valamatos (PS), manifestou-se confiante no caminho tomado. “Estamos a investir conscientemente e de forma muito determinada no Parque de Ciência e Tecnologia. Estamos muito certos do que estamos a fazer e queremos continuar a apostar no Parque, na ESTA. Faz parte do nosso futuro, de Abrantes, da região e mesmo do País”.

Reunião de Câmara de Abrantes. Créditos: mediotejo.net

Negando as afirmações de Armindo Silveira, no que toca à “incapacidade da Tagusvalley gerar receitas”, a vereadora Paula Grijó fez notar que “um dos retornos do Parque de Ciência e Tecnologia para o concelho não se mede no relatório de contas no final do ano ou no orçamento, mede-se no impacto que o Parque de Ciência e Tecnologia tem para o tecido económico” instalado em Abrantes, “nos empresários já instalados, do ponto de vista da sua capacidade de inovar, do apoio que somos capazes de dar, da capacidade de atrair novos empreendedores, novos investimentos. Isso tem um valor e é por isso que dizemos que o Parque prossegue fins de interesse público”.

Durante a mesma reunião a maioria socialista ainda aprovou, igualmente com o voto contra do BE e a abstenção do PSD, um pedido de cabimentação de despesa, no montante de 61.395,50 euros para celebração de contrato-programa com a Tagusvalley para o ano de 2019.

Para Armindo Silveira tal cabimentação “vai remunerar uma atividade que, supostamente, esta associação de direito privado já deveria ter capacidade para suportar sob pena de, se não o fizer, tornar-se numa despesa permanente para todos os munícipes”.

A Câmara aguarda pela resultado da candidatura, que já ultrapassou uma primeira fase de validação. A ser aprovada, o projeto será cofinanciado pelo Centro 2020 em 85%.

Ambas as propostas aprovadas pelo executivo serão agora submetidas à apreciação da Assembleia Municipal.

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