Abrantes | Bombeiros atiram-se a lar em chamas e resgatam idosos em Rossio ao Sul do Tejo

Do incêndio no lar de idosos em Rossio ao Sul do Tejo resultaram sete feridos graves, três deles em estado muito grave. Uma idosa acabaria por não resistir aos ferimentos. Créditos: mediotejo.net

Na manhã desta segunda-feira, 27 de janeiro, uma residência para idosos de carácter particular ardeu, em Rossio ao Sul do Tejo, junto ao kartódromo. O fogo colocou em perigo a vida de 18 utentes e três funcionários. Do incêndio decorreram sete feridos graves, três deles muito graves envolvendo queimaduras corporais, e 11 feridos considerados ligeiros devido à inalação de fumos. Os primeiros a chegar ao local em socorro foram três bombeiros que, mesmo sem os equipamentos adequados, avançaram chamas dentro em missão de salvamento. O mediotejo.net quis saber como foi.

Foram três os primeiros bombeiros da corporação de Abrantes a chegar ao local do incêndio em Rossio ao Sul do Tejo (Abrantes): Rui Claro, Paulo Dinis e Nuno Pereira. Receberam a informação do quartel indicando a existência de fogo não controlado num lar de idosos. Aquando o alerta, deslocavam-se para uma reunião de trabalho, na companhia do comandante António Manuel Jesus. Mesmo sem fato de proteção, de imediato inverteram caminho para “dar o apoio” no combate ao incêndio que deflagrou, na manhã desta segunda-feira, 27 de janeiro, numa residência onde estavam 18 idosos e 3 funcionárias.

O fumo era visível de Coalhos. Quando lá chegaram, fardados de bombeiros mas sem o equipamento necessário para a situação, ou seja, sem proteção respiratória e sem proteção de temperatura, não hesitaram em cumprir a sua missão de salvamento.

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Rui Claro, um dos três bombeiros que fizeram a primeira intervenção de salvamento. Créditos: mediotejo.net

Saltaram para dentro do edifício com fumo, chamas e idosos lá dentro, porque “a alternativa neste caso era a vida das pessoas”, conta Rui Claro. Porventura as consequências e os ferimentos que o fogo causou nas vítimas “poderiam ser piores. Se calhar vítimas por inalação de fumo iriam intoxicadas e intoxicação por monóxido de carbono é muito complicada. Como se dizia há uns anos: não se vê, não se sente, não se cheira mas mata. E esse foi o principal risco que corremos”, considera.

No momento arriscaram, dentro da mínima segurança. “Estive sempre em segurança, nunca me senti em perigo, mas não pensámos! Garantidamente não pensámos porque se pensássemos não íamos entrar”, afirmou, enquanto explicava que os bombeiros “têm a cabeça feita para salvar vidas”.

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Rui entrou por uma janela, viu três idosos dentro dessa divisão enquanto o pânico “gritava” fora do edifício, relata. É um cenário dos quais “os bombeiros se tentam abstrair. Não ouvir e focar na missão”.

Encontrou um ambiente de “muito fumo, a temperatura alta. Num compartimento onde entrei não haviam chamas mas o fumo era muito denso. Nessas situações é ver onde estão as pessoas, pegar nelas e na primeira abertura para o exterior passa-las, seja janela ou porta… tentar de todas as formas para que não fiquem lá”.

Do incêndio no lar de idosos resultaram sete feridos graves, três deles em estado muito grave. Créditos: mediotejo.net

Quando os reforços chegaram ao local do incêndio “grande parte” dos idosos já se encontrava no exterior. No compartimento onde Rui entrou salvou “dois idosos, os colegas tiraram mais um”. Pouco tempo depois chegou o veiculo de combate de incêndios e os bombeiros devidamente protegidos entraram no edifício em chamas.

“O problema maior era a respiração”, diz, porque o ar está cheio de partículas de fumo e substâncias químicas que são irritantes e inflamatórias. “A toxicidade não ajuda, a visibilidade é muito reduzida e vamos apalpando” até ao salvamento, relata.

Do incêndio no lar de idosos resultaram sete feridos graves, três deles em estado muito grave. Créditos: mediotejo.net

Hermínio Tibério confirma o cenário de fumo intenso. Era um dos 18 utentes da residência para idosos em Rossio ao Sul do Tejo. Conta-se entre os 11 com ferimentos ligeiros. Iniciava mais um dia dos seus 94 anos de vida, levantando-se normalmente quando sentiu o cheiro a fumo.

“Senti muito fumo, e quando assomei à porta vi ainda umas chamas mortas agarradas às roupas e o fumo a sair pelas janela e pelas portas” conta ao mediotejo.net.

Diz que “as pessoas não conseguiam sair e quando chegaram os bombeiros” é que o socorro iniciou. “Ninguém conseguia lá entrar… o fumo era tanto e não tinham máscaras. A mim não me aconteceu nada porque estava no outro edifício independente”, detalha.

Hermínio Tibério vai ficar agora alojado em casa dos seus filhos. Os restantes idosos com ferimentos ligeiros, alguns também acomodados em casa de familiares e outros realojados num lar de idosos na freguesia vizinha do Pego.

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