Abrantes | BE questiona executivo se há estudo para conversão da central do Pego

Reunião da Câmara Municipal de Abrantes. Créditos: mediotejo.net

A Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo reuniu recentemente com a Central Termoelétrica do Pego em agenda. Sabe-se que o Governo quer encerrar a central de produção de eletricidade a carvão em 2022. Do encontro saiu a decisão de apoiar a conversão da infraestrutura para resíduos florestais, ou seja, biomassa. Na última reunião de Câmara Municipal, Armindo Silveira abordou o assunto manifestando-se “surpreso” com a notícia e questionou o presidente se a recomendação se sustentou em algum estudo.

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A Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT) aprovou na semana passada, por unanimidade, uma recomendação ao Governo no sentido de “explorar o potencial da proposta da Tejo Energia para conversão da atual Central Termoelétrica a carvão para resíduos florestais”, ou seja, biomassa.

Mas o vereador Armindo Silveira, do Bloco de Esquerda, não ficou convencido com o que soube através da comunicação social e manifestou-se “surpreso” com o que leu no comunicado da CIMT, onde a entidade intermunicipal informa que apoia a conversão da Central, a carvão, do Pego para resíduos florestais.

O vereador, lamentando não ter sido informado pelo executivo dado a “importância” do tema, disse acompanhar “as preocupações sobre os postos de trabalho e a contribuição da empresa para toda uma região” mas entende “que as decisões têm que ser tomadas com base em estudos e não meras vontades”.

O BE defende que a central encerre quando termine o atual contracto e se estabeleça uma moratória no uso da biomassa no sentido de analisar e avaliar todos os impactos da solução. “Precisamos de estudos sólidos para podermos tomar uma decisão o mais fundamentada possível”, insistiu o vereador, questionando “qual o estudo ou estudos em que o sr. presidente da Câmara se baseou para apoiar esta tomada de posição da CIMT?”.

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Armindo Silveira quis saber “quantos postos de trabalho se vão manter? Qual a capacidade de produção a instalar em MW´s? De onde vem a biomassa e como é transportada? Qual a capacidade da região em abastecer a dita central? Vão apoiar a plantação de culturas dedicadas, ou seja, as chamadas culturas energéticas? Quais os impactos ao nível da biodiversidade? E do ordenamento florestal?”, interrogou.

Por seu lado, o vereador Rui Santos, do Partido Social Democrata, mostrou-se “satisfeito” com o comunicado da CIMT. “A posição da Câmara de Abrantes já era conhecida. Até por interpelação minha o sr. Presidente tinha dito que a biomassa seria uma solução e o PSD também a vê com bons olhos”.

Conhecendo-se as questões que o PSD colocou recentemente ao Governo no sentido de perceber se a decisão de encerrar a central em 2022 teve por base “algum estudo ambiental e económico” e se o Governo “tem um plano para mitigar os seus impactos”, Rui Santos centra a sua preocupação nos postos de trabalho. “Não podemos falar só em ambiente sem falarmos em pessoas. Senão qualquer dia só temos ambiente e não temos pessoas”, declarou.

Em resposta aos vereadores, o presidente disse não compreender a ”surpresa” uma vez que “as organizações e as instituições têm os seus momentos e a CIMT tomou a sua posição no momento em que tinha de tomar”, considerou.

Governo quer encerrar central termoelétrica do Pego em 2022. A central pode converter-se em central de biomassa. Foto: Tiago Miranda

Manuel Jorge Valamatos informou a vereação que em 2018 a Central Termoelétrica do Pego “pagou diretamente 10 milhões de euros em salários aos seus trabalhadores”, dando conta de 275 trabalhadores permanentes e cerca de 800 trabalhadores sazonais. “Com o encerramento, 75% das pessoas perdem o seu posto de trabalho”, contabiliza o autarca, garantindo que a CIMT está atenta à situação.

Contudo, admitiu que “são muitos os estudos por fazer. A CIMT só tomou posição de manifestar a sua preocupação. Este conselho de administração e os seus investidores [da Tejo Energia] estão muito empenhados em procurar uma solução. Aparentemente, sem processos já fechados o que apresentam é uma boa solução” considera.

Para Manuel Valamatos é possível encontrar “respostas para a atividade económica da região, para a produção de energia. A Central do Pego é o maior produtor de energia da Península Ibérica e poder encontrar na floresta a solução, sendo que vão tirar aquilo que arde todos os anos de forma descontrolada para poder ser queimado no sítio certo” explicou.

O presidente defendeu também “bom senso e equilíbrio” nesta questão que coloca fora das discussões político-partidárias.

Em comunicado, aquela entidade intermunicipal que agrega 13 municípios do Médio Tejo, deu conta de ter sido “com agrado” que os representantes da CIMT “ouviram da parte da administração da Tejo Energia que é intenção dos acionistas desenvolver um projeto ambicioso do ponto de vista ambiental, económico e social para além da data final do Contrato de Aquisição de Energia (CAE)”, que termina em dezembro de 2021, “passando a funcionar a resíduos florestais já a partir de 2022”.

Na mesma nota, a presidente da CIMT, Anabela Freitas, refere que, “além dos contributos para o interior” do País, esta unidade de produção “traz igualmente diferentes vantagens para a redução da dependência energética do exterior e para a segurança de abastecimento à rede elétrica nacional”, tendo feito notar que a mesma permitirá que se mantenha como “reserva às fontes renováveis, através de uma central despachável que utiliza fontes endógenas, não pondo em causa a possibilidade do funcionamento de pequenas unidades de rentabilização de biomassa”.

O presidente da Câmara de Abrantes por sua vez, citado na mesma nota, refere ser fator de “confiança em relação ao futuro” o “saber que a Tejo Energia está a trabalhar num projeto que tem como objetivo a conversão da Central do Pego para resíduos florestais”, com a respetiva manutenção e criação de postos de trabalho adicionais”.

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1 COMENTÁRIO

  1. Biomassa na central do Pego, é nitidamente uma proposta de politicos para Inglês ver, porque trocar CO2 por CO2, francamente, e onde vão buscar a matéria prima??, além do mais essa central, lógicamente será reconvertida para gáz como está e muito bem previsto, o ambiente agradeçe, acho estranho partidos que agora se dizem ambientalistas terem propostas tão parvas como esta. Talvez seja melhor visto que o Aeroporto do Montijo e muito bem, não irá para a frente, mais uma ideia parva, Alcochete não é viável também por muitas razões, e MonteReal não passou de mais uma promessa mentirosa, porque por motivos técnicos nunca foi nem será opção, eu que sempre defendi o Aeroporto em TANCOS como a unica solução para Portugal, repito UNICA Solução, e agora que tenho muitos e fortes apoios fora da área politica, vou voltar a atacar aquilo que de certeza é a unica Solução para o desenvolvimento VERDADEIRO para Portugal, claro que não interessa aos politicos mais importantes, porque outros interesses pouco claros se levantam. Se quiser saber mais detalhes sobre este assunto, estou inteiramente á sua disposição. Eduardo Coelho 964633283

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