Abrantes | Autarquia e CIMT preocupadas com futuro da Central Termoelétrica do Pego

Governo quer encerrar central termoelétrica do Pego em 2021. A central pode converter-se em central de biomassa. Foto: Tiago Miranda

A Câmara de Abrantes e a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo estão preocupados com o anunciado encerramento da Central Termoelétrica do Pego no final de 2021, ano em que termina o contrato de aquisição de energia, e com o futuro que a mesma pode vir a ter noutro contexto, tendo em conta que a empresa emprega algumas centenas de pessoas da região e tem importância relevante no contexto social e económico onde está inserida. A produção de energia através do carvão deve terminar mesmo em 2021, mas em cima da mesa está a transformação para a biomassa, uma fonte de energia renovável que é uma aposta do governo.

PUB

O tema tem sido alvo de abordagem em vários setores locais, nomeadamente nas reuniões de executivo em Abrantes, mas também no seio da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT), local onde o projeto de reconversão da central a carvão do Pego para biomassa foi abordado e mereceu a melhor atenção dos autarcas não só de Abrantes como da região do Médio Tejo, disse ao mediotejo.net o secretário executivo, Miguel Pombeiro.

“É um assunto que preocupa a CIMT porque a não existência de uma verdadeira alternativa teria um impacto económico e social muito grande, não só em Abrantes como na região envolvente”, notou o responsável, tendo referido que uma das próximas reuniões descentralizadas da CIMT vai decorrer precisamente nas instalações da PEGOP, a 26 de setembro, “para conhecer as alternativas delineadas pela administração” para o pós 2021.

PUB

Câmara de Abrantes atenta ao desenvolvimento do processo 

Paula Moura Ramos, em substituição do vereador do Partido Social Democrata, Rui Santos, questionou o executivo na última reunião de Câmara de Abrantes sobre a Central Termoelétrica do Pego, à semelhança de Rui Santos, em diversas outras reuniões de executivo.

PUB

A eleita do PSD quis saber novidades “relativamente à parte do carvão” relacionada com a emissão de gases poluentes, observando que o encerramento da central a carvão em 2021, como já anunciou o Ministro do Ambiente, “vai implicar perda de postos de trabalho.

Economicamente para o concelho vai ser mais uma situação complicada de gerir”, alertou.

Reunião de Câmara Municipal de Abrantes. Créditos: mediotejo.net

Em resposta, o presidente da Câmara Municipal de Abrantes deu conta de “várias reuniões com a administração.

“Inclusivamente”disse, “já tive uma reunião com o secretário de Estado da Energia, reunimos com administradores Tejo Energia no âmbito da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo e estamos a preparar uma nova reunião na central”, disse Manuel Valamatos (PS), lembrando que a Central Termoelétrica do Pego “é neste momento o maior produtor de eletricidade da Península Ibérica”.

Admitindo estarem em causa “muitos postos de trabalho” considerou que “um problema também pode ser uma oportunidade e é nisso que estamos a trabalhar, mas não faço mais comentários”, concluiu.

Em causa, está a central do Pego da Tejo Energia, uma ‘joint-venture’ entre a TrustEnergy, com uma participação de 56,25%, e a Endesa Generación, com 43,75%, cujo contrato de concessão termina em 2021. Esta é uma das centrais que se manteve com Contrato de Aquisição de Energia (CAE), incentivo à produção que foi substituído pelos Custos de Manutenção do Equilíbrio Contratual (CMEC).

Do lado do Governo, o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, afirmou que o Pego encerrará até 2022 e mantém 2030 como data para o encerramento de Sines.

A 24 de maio passado o Governo manifestou a intenção de encerrar a segunda central a carvão do país, do Pego, em 2022. A data que fora anunciada para as duas centrais era 2030.

Governo quer encerrar central termoelétrica do Pego no final de 2021. Foto: DR

Em 12 de dezembro, a presidente executiva da Tejo Energia, Beatriz Milne, tinha afirmado no parlamento que a empresa quer dar uma nova finalidade à Central do Pego, acrescentando que já tinham sido iniciados contactos com o Governo para “avaliar a hipótese de uma central de resíduos florestais”.

“É óbvio que a responsabilidade que temos de dar trabalho a 200 famílias diretamente, a outras 100 indiretamente, e de ser um motor de desenvolvimento da zona faz com que analisemos todas as possibilidades existentes para continuar a ter essa responsabilidade com essas pessoas e com o município, mas vai depender muito das políticas ambientais e do contexto fiscal e regulatório”, declarou, à data, a gestora, quando questionada pelo deputado do CDS-PP Hélder Amaral sobre os planos da empresa para o futuro.

O presidente da Endesa Portugal defendeu em janeiro, por sua vez, que a central do Pego, em Abrantes, tem condições para continuar a operar depois de 2021, ressalvando que essa possibilidade está dependente de uma decisão política.

“A central está ainda em condições de prolongar a sua vida, mas há o facto de politicamente estar definido” que não queremos “mais carvão, CO2 ou emissões”, disse Nuno Ribeiro da Silva, durante uma audição na Comissão Parlamentar de Inquérito ao Pagamento de Rendas Excessivas aos Produtores de Eletricidade.

Nuno Ribeiro da Silva notou ainda que a empresa está a “imaginar todos os cenários”, sobretudo devido à central ser “uma unidade relevante” em Abrantes: “Estamos a estudar [formas de] aproveitar espaço ou a unidade para alguma geração renovável. Tem-se falado no uso de biomassa florestal, [mas] é complexo”.

Tejo Energia admite converter Pego em central de resíduos florestais. Foto: DR

Zero quer fim de centrais de Sines e Pego até 2023

A associação ambientalista Zero defendeu este mês o fim das centrais a carvão de Sines e Pego até 2023, começando já em 2021 com a desativação de metade da central de Sines.

Em comunicado, a Zero salienta que a EDP quer prorrogar até 2029 a licença ambiental de Sines, cuja renovação esteve em consulta pública até ao dia 09 de agosto.

“Dois dos quatro grupos [geradores onde se queima carvão] da central devem ser desativados já em 2021”, defende a associação, que quer ver Portugal “livre de carvão mais cedo” que 2030, data apontada pelo Governo para o encerramento de Sines.

O fecho das centrais não obriga o Estado a dar “qualquer compensação aos operadores”, destaca a Zero, apontando que os contratos de funcionamento de Sines terminaram em 2017 e que no Pego terminam em 2021.

“Há também o dever moral das empresas de não contribuírem para o agravamento da crise climática”, refere a associação.

A Zero destaca que a central de Sines emitiu 7,4 milhões de toneladas de dióxido de carbono e a do Pego 2,8 milhões de toneladas.

Sines e Pego foram entre 2008 e 2017 responsáveis por cerca de 17%, em média, das emissões totais nacionais de gases com efeito de estufa.

“Os investimentos para a produção de eletricidade a partir de fontes de energia renovável, tal como demonstrado através do recente leilão relativo a instalações centralizadas de produção a partir de energia solar, conseguirão assegurar uma fração progressivamente significativa da geração de eletricidade”, mais barata para os consumidores e sem emissões diretas de gases, salienta a Zero.

A associação argumenta que o fecho de Sines e Pego “não tem impactos significativos na segurança do abastecimento”, baseando-se no mais recente relatório da Direção-geral de Energia e Geologia.

Até 2023, há tempo para “um plano de promoção de atividades económicas ligadas à urgente transição energética” do carvão para fontes limpas, com a participação “ativa dos trabalhadores e das suas organizações”.

Com o fecho das centrais, serão afetados cerca de 650 trabalhadores das duas centrais e do porto de carvão, mas em setores como a energia obtida a partir de energia solar “prevê-se a criação de pelo menos 20 mil postos de trabalho nos próximos 10 anos no país”.

c/Lusa

PUB

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here