Abrantes | Alves Jana, o ‘Cafés com Letras’, e o livro “Média, Informação e Democracia”,de J.M. Nobre-Correia

José Alves Jana, um dos membros do Clube de Filosofia de Abrantes. Foto: ESTA

José Alves Jana, um dos membros do Clube de Filosofia de Abrantes, diz que o tema do próximo livro a ser debatido esta terça-feira, dia 28, no Café com Letras – “Média, Informação e Democracia” -, da autoria de J.M. Nobre-Correia é da maior importância.

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“Quem gosta de pensar e gosta de pensar com outros tem ali um lugar apropriado”

Texto: Rafael Franco, aluno de Comunicação Social da ESTA

Com sete anos de existência, o Clube de Filosofia de Abrantes é um sítio “onde se pode pensar entre as pessoas que lá forem”. Todas as primeiras, terceiras e últimas terças-feiras do mês “a porta está aberta” para quem quiser participar nas sessões que duram, em média, duas horas. As sessões mais clássicas, sobre os filósofos ‘obrigatórios’, curiosamente “são sessões de que as pessoas gostam muito, adoram sempre”.

Aos 67 anos, José Eduardo Alves Jana, mais conhecido por professor Jana, é um dos nomes por detrás do clube. Este é mais um entre os inúmeros projetos em que se envolveu ao longo da sua vida, desde o teatro até à comunicação social. Dono de uma enorme facilidade em interagir, provoca para fazer pensar e não tem medo de dar a sua opinião. Sobre as sessões do clube, diz que “os momentos mais interessantes, para nós, e que nos deixam com alguma vaidade, mas sem soberba nenhuma, é quando as pessoas nos dizem que é um sítio onde têm aprendido muito”.

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O “Café com Letras” foi criado pelo clube para gerar conversas em torno de livros. Qualquer livro. Alves Jana admite que até um livro fútil poderia ser abordado. Não é o caso do próximo.

J.M. Nobre-Correia, um homem ligado à investigação, aos livros e ao ensino, vem a Abrantes apresentar o seu livro “Média, Informação e Democracia”, esta terça-feira, dia 28, às 21h30, no Espaço Sr. Chiado, junto à Câmara Municipal. Para Alves Jana, este é tema “da maior importância” que será discutido em conjunto por quem lá for.

Como surgiu a ideia de fazer uma sessão do “Café com Letras” com o professor J.M. Nobre-Correia, para apresentar o seu livro “Média, Informação e Democracia”?

Este livro foi-nos sugerido. Como o tema é da maior importância, não havia nenhuma razão pela qual nós disséssemos que não. Não havia nenhuma restrição, as nossas restrições são sobretudo de calendário. Nós aceitámos. Havia tempo disponível e, portanto, nós organizámos a sessão.

Já leu o livro?
Um dos membros do Clube de Filosofia está a ler o livro e eu talvez leia depois. As minhas leituras não podem ser comandadas pela programação do Clube de Filosofia, nem as minhas nem as de ninguém.

Disse que o clube considerou que era importante. É importante porquê?
Não sei se é preciso explicar por que é que a Democracia é importante. Mas eu explico! A Democracia é o nosso regime e é o regime que está hoje a dar menos boas provas de que é eficaz. E está a confrontar-se com outros regimes mais autoritários que, dizem eles, estão a dar melhores provas de bons resultados. A informação é hoje uma componente fundamental da Democracia, sempre foi, mas também é hoje uma componente fundamental do ataque à Democracia. Nomeadamente através dos Média, digo eu, que ando com os olhos um bocadinho abertos. Portanto, não há nenhuma razão para um tema destes ser posto de lado. O livro, eu não conheço, mas o tema é da maior importância. O autor foi professor numa Universidade na Europa e há de ter alguma coisa a dizer sobre isto. Não há nenhuma linha orientadora de pensamento em que o clube pegue. Aquele é um local de encontro onde todas as exposições têm o legítimo direito de entrada.

Estes assuntos, quando são aparentemente específicos, não acabam por limitar o público que aparece nas sessões organizadas pelo Clube de Filosofia?
Se trouxéssemos a Rainha de Inglaterra ou o Papa Francisco vinha mais gente! Temos um público fiel, flutuando entre umas 30 a 40 pessoas. Depois há algumas pessoas que vêm em função das pessoas que vão apresentar livros. Mas, no essencial, as pessoas estão disponíveis, já aprenderam, por experiência própria, que qualquer tema dá origem a grandes discussões. Houve uma altura no Clube de Filosofia que pensámos que, sendo nós de Filosofia, tínhamos a obrigação de dar a conhecer alguns filósofos. Um Descartes, um Aristóteles, um Platão… desses que nos chateavam a cabeça. Curiosamente, essas sessões, que nós achámos que deviam ser feitas apesar das pessoas não gostarem delas, são sessões de que as pessoas gostam muito, adoram sempre.

Como tem sido a adesão ao clube?
Eu diria que muito boa. Vamos lá ver se nos entendemos é sobre o que isso significa!… Numa cidadezinha como Abrantes, um clube que no ano passado fez, salvo erro, 22 sessões com uma média de 20 pessoas por sessão, eu acho que não é nada mau. Tenho assistido a coisas “muito mais importantes” em Lisboa e com menos gente.

E qual é o género das pessoas que têm ido às sessões?
As melhores sempre, as que vêm são sempre as melhores! Temos pessoas de vários géneros, modelos e feitios, embora, sinceramente, as pessoas que dominam são aposentados, gente que teve um percurso qualquer ligado a ideias, à aprendizagem, que gosta de pensar e discutir. Mas temos também gente ainda no ativo, e até gente nova, de vez em quando, embora seguramente em menor número.

Já houve algum episódio curioso nas sessões do Clube de Filosofia?
Pilhas deles! (risos) O que é que eu posso dizer? Por exemplo, quando as pessoas se desentendem. Porque nós somos humanos, nem sempre somos perfeitos, nem sempre as outras pessoas gostam daquilo que nós fazemos, pensando, até, que estamos a fazer bem. Moderar a conversa num sítio onde estão 20 pessoas que querem falar nem sempre é fácil, e há pessoas que, uma vez ou outra, se sentem ‘atropeladas’. Por outro lado, os momentos mais interessantes, para nós, e que nos deixam com alguma vaidade, mas sem soberba nenhuma, é quando as pessoas nos dizem que é um sítio onde têm aprendido muito. Não há nada melhor do que nós ouvirmos uma coisa destas. Aprende-se muito ali, nomeadamente aprende-se que outros pensam outras coisas diferentes de nós sobre aquilo que nós também pensamos e isso é da maior importância.

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