Abrantes | ALTERNATIVAcom defende debate e reflexão sobre património industrial do concelho

Fotografia da intervenção tirada a 19 de fevereiro de 2020. Crédito Álvaro Batista

O movimento ALTERNATIVAcom defende uma reflexão sobre o património industrial do concelho de Abrantes e “sobre um conjunto de questões e preocupações para situações semelhantes”, após a “tentativa de demolição de uma chaminé de grandes dimensões” habitado por um casal de cegonhas, em Alferrarede. A demolição já se encontrava em avançado estado quando o movimento independente tomou conhecimento a 19 de fevereiro, lê-se em comunicado enviado à comunicação social.

Notando a existência de outras soluções, previstas na lei, nomeadamente a relocalização dos ninhos, dentro dos trâmites adequados, o Movimento Autárquico Independente manifesta preocupação com “a tentativa, na altura infrutífera, de demolição da chaminé com as cegonhas-brancas e o respetivo ninho no topo da mesma”.

Pelo facto de a chaminé ser habitada por um casal de cegonhas brancas em fase de postura, recorda “a obrigatoriedade de cumprimento do Decreto-Lei n.º 49/2005, de 24 de fevereiro, que transpõe para a ordem jurídica interna duas diretivas do Parlamento Europeu e do Conselho, a propósito da proteção das Aves e dos Habitats, onde se especifica que é proibido ‘Perturbar esses espécimes, nomeadamente durante o período de reprodução, de dependência, de hibernação e de migração (…)’ e ‘Destruir, danificar, recolher ou deter os seus ninhos e ovos, mesmo vazios’ (artigo 11.º)”.

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Para o ALTERNATIVAcom é “imperativo que neste tipo de situações, tal como noutras de semelhante impacto, todos os envolvidos, incluindo as autoridades competentes, garantam e salvaguardem, a segurança das pessoas, dos animais e dos bens visados”.

O movimento ressalva não estar a colocar “em causa a necessidade de demolição da chaminé, o seu estado de conservação, nem tampouco o escrupuloso cumprimento dos procedimentos que viabilizam a sua demolição, em termos de controlo prévio e contínuo das obras em curso”, mas considera importante a utilização do caso como “estímulo ao debate e reflexão, de forma mais abrangente, acerca do estado atual e do futuro do espólio e património industrial do concelho de Abrantes”, lê-se também no comunicado.

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Lembra que “a zona envolvente àquela onde se encontra a decorrer a demolição, enquadra-se num contexto alargado de legado industrial identitário do concelho, que tem como principais incidências Alferrarede, Rossio ao Sul do Tejo e Tramagal”.

Em Alferrarede, por exemplo, observa que “parte do edificado da outrora Companhia União Fabril (CUF), que aqui se instalou no início do século XX, encontra-se há vários anos completamente devoluto, principalmente a sul da ferrovia, apesar da sua centralidade e do crescimento urbano se continuar a desenvolver ao seu redor. O desenvolvimento do próprio Tecnopolo do Vale do Tejo, que despoletou a reconversão da área, entretanto tem estado aparentemente estagnado”.

Nota também que a área está a ser enquadrada “no Programa Estratégico de Reabilitação Urbana (PERU) de Alferrarede, embora ainda sem que se vislumbre o que será o seu futuro, nem de que forma este património será protegido, valorizado, e potenciado”.

Conclui comprometendo-se em “acompanhar com atenção as ocorrências reais no concelho, que sirvam de exemplo ou ponto de partida para estimular a reflexão e envolvimento dos abrantinos em diversos temas. Estes, passam também pelo respeito, atuação e planeamento em relação às questões ligadas quer ao ambiente natural, quer ao construído”.

Mais acrescenta que o objetivo do ALTERNATIVAcom passa por “construir um programa sustentável e resiliente, com propostas que suportem o desenvolvimento integrado do território”.

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