Abrantes | Achados históricos obrigam a “alguma contenção” nas obras no futuro Museu Ibérico (MIAA)

Vista parcial do futuro MIAA de Abrantes. Foto DR

A empreitada de construção do Museu Ibérico de Arqueologia e Arte (MIAA) de Abrantes, que está a ser construído através de um projeto de requalificação do Convento de S. Domingos, está com algum atraso na sua conclusão, prevista para o ultimo dia do mês de maio, devido a alguns achados históricos que “obrigam a alguma contenção” no desenvolvimento dos trabalhos, disse o presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Valamatos. A inauguração do novo Museu deverá agora decorrer no final do ano 2019, início de 2020, segundo o autarca.

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“É uma obra enorme, com grande complexidade, e que tem tido alguns condicionalismos até porque foram feitas algumas descobertas que obrigam a alguma contenção no desenvolvimento da obra”, disse Manuel Valamatos aos jornalistas no sábado, à margem da inauguração da nova sede do Grupo de Teatro da Palha de Abrantes.

“O atraso não é muito significativo e esperamos que no final do ano, início do próximo, a obra possa estar concluída”, disse o autarca, tendo feito notar que “o importante” é que a obra fique bem feita.

Museu Ibérico de Arqueologia e Arte, vai nascer no antigo Convento de São Domingos, em Abrantes. Foto arquivo: mediotejo.net

“O importante é fazê-la bem para depois abrir em pleno e que seja uma estrutura muito importante para o desenvolvimento cultural, turístico e económico para o nosso concelho e para a região”, defendeu Manuel Valamatos.

Achados históricos já haviam sido postos a descoberto em Abrantes em 2017 no decorrer dos trabalhos de requalificação do Convento de S. Domingos para instalação do Museu Ibérico de Arqueologia e Arte (MIAA), disse na ocasião ao mediotejo.net o vereador com o pelouro da Cultura, Luís Correia Dias.

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“Na sequência de picagens das fachadas foram detetados 2 vãos com arcos em ogiva, que serão objeto de estudo com vista à sua integracão no museu, e, na sequência das sondagens nos pavimentos térreos, foram detetadas ossadas depositadas numa talha cerâmica de conservacão de alimentos, bem como um conjunto de possíveis deposicões funerárias”, revelou.

Segundo o vereador, “estes vestígios osteológicos serão levantados e analisados por antropólogo, conforme decorre do enquadramento legal”, estando a ser acompanhados de perto por técnicos da DGPC.

A requalificação do Convento de S. Domingos para instalação do Museu Ibérico de Arqueologia e Arte (MIAA) arrancou no mês de janeiro de 2017. O contrato de empreitada da primeira fase da obra é de 3,1 milhões de euros, tem um prazo de execução de 910 dias e foi assinado no dia 25 de agosto de 2016 com a empresa Teixeira, Pinto & Soares, SA.

Obras de requalificação do Convento de São Domingos para instalação do Museu Ibérico de Arqueologia e Arte (MIAA) de Abrantes vão prolonagar-se até maio de 2019. Foto: CM ABT

O contrato tem por objeto a recuperação, remodelação e ampliação do Convento de S. Domingos para a instalação do MIAA, um equipamento que vai ocupar todos os espaços disponíveis atuais do antigo convento para áreas de exposições, permanentes e temporárias, onde ficará parte da coleção de arqueologia e arte municipal, o espólio de pintura contemporânea da pintora Maria Lucília Moita e a coleção arqueológica Estrada, propriedade da Fundação Ernesto Lourenço Estrada, Filhos.

São cerca de cinco mil as peças que integram as coleções da Fundação Estrada de ourivesaria ibérica, armaria e arte sacra dos séculos XVI a XVIII, além de coleções de numismática, arquitetura romana, medieval e moderna, relógios de várias épocas e uma exposição de arqueologia e história local.

A obra em curso decorre no centenário convento de S. Domingos e desenvolver-se-á em 2 pisos, sendo intervencionada uma área bruta de construção correspondente a 3.280 m2. No edifício que prolonga a ala norte do convento, e que se desenvolve num piso, será intervencionada uma área bruta de construção correspondente a 256 m2, e que servirá também para instalar os serviços indispensáveis ao funcionamento do Museu e Centro de investigação associado, da receção ao serviço educativo, uma área de armazém e diversas áreas técnicas.

O novo Museu Ibérico de Arqueologia e Arte, tem o projecto de arquitectura das instalações pelo Arquitecto Carrilho da Graça e o projecto museográfico pelo Professor Fernando António Batista Pereira.

A obra é apoiada em 85% com verbas dos fundos comunitários do Portugal 2020, no âmbito do PEDUA – Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano de Abrantes para a Regeneração Urbana.

Associado ao Museu Ibérico, o espaço vai ter um Centro de Investigação para “assegurar a continuidade do estudo das coleções” que ali serão expostas e que sirva de polo dinamizador de projetos de investigação e de parcerias com universidades, museus nacionais e estrangeiros.

A primeira fase de recuperação, remodelação e ampliação do Convento de S. Domingos deveria ficar concluída em 910 dias, cerca de dois anos e meio, ou seja, no mês de maio de 2019, se não existissem interrupções de trabalhos.

Dentro deste contexto, a Câmara de Abrantes já havia anunciado um investimento de 1,5 milhões de euros na requalificação do Edifício Carneiro, imóvel próximo do castelo da cidade, para acolher o futuro Museu de Arte Contemporânea “Charters de Almeida”.

O escultor Charters de Almeida doou ao município de Abrantes uma parte significativa da sua coleção, resultado de mais de meio século de atividade artística, e de que se destacam as obras em grande escala, conhecidas por “Cidades Imaginárias”, que chegam a atingir os 40 metros de altura.

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