“Abacaxi”, por Armando Fernandes

Pergunte o leitor qual é a diferença entre abacaxi e ananás. Segundo dizem as enciclopédias a diferença na origem é nula. As duas palavras significam o mesmo, a causa do baptizado ser diferente estará no facto de o fruto que Cristóvão Colombo trouxe pela primeira vez para a Europa inicialmente ter sido cultivado em diferentes regiões da América Latina: abacaxi no sul, ananás no Norte. Os «descobridores» verificaram que a planta já era cultivada pelos habitantes daquelas terras tropicais.

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Os portugueses, os espanhóis e os holandeses disseminaram-no por toda a Europa. Os portugueses conseguiram elevá-lo à condição de emblema da Ilha de S. Miguel, denominando-o ananás o qual se aclimatou muito bem e se diferencia dos vindos de outras partes do Mundo pela sua doçura e menor acidez. O leitor faça o favor de fazer a comparação (são odiosas) deguste frutos da mesma idade, uns das Filipinas ou do Brasil., uns da «língua espanhola, outros em língua de Jorge Amado e João Guimarães Rosa, e os nados na ilha onde nasceu a bela e talentosa Natália Correia.

O facto de ter optado pelo termo Abacaxi a encimar a crónica prende-se com o facto de no cenário da política mundial ter surgido na América Central, mais concretamente no Panamá, uma curiosa e nefasta personagem cuja alcunha era a do General Abacaxi porque tinha o rosto recheado de picadas de bexiga (leiam Camilo) nome popular de una maleita – a varíola – que marcava rosto bonitos na essência e atenuava faces encardidas deixando-as parecidas com os abacaxis. Em Portugal as bexigas fizeram inúmeras vítimas ainda bem dentro do século XX, sendo as pústulas em gestação imagens difíceis de ver, especialmente nos rostos formosos.

Feita a explicação importa salientar que o abacaxi ou ananás é abundantemente utilizado culinariamente nos países produtores e mesmo nos restantes também porque, ao contrário de no passado, a produção é grande e a mobilidade embarateceram-no. Os nutricionistas elogiam-lhe as virtudes nas curas de emagrecimento e prevenção de diversas doenças.

É empregue na culinária seja a acompanhar assados de carne, enchidos (morcelas), recheios de aves e peixes brancos, ainda no naipe da confeitaria e pastelaria, além dos gelados e sorvetes. O seu sumo entra em várias composições de cocktails e vários licores. A época estival é propícia ao consumo de ananases e abacaxis. As leitoras façam o favor de darem azo à imaginação e não se esqueçam dos bolos recheados.

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Capote Velho, Premium

O vinho é da região de Lisboa, consequência do esmagamento de uvas das castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Syrah e Alicante Bouchet, resultando num tinto denso, dele se desprendendo aromas intensos a fruta madura, polpuda e também silvestre. No palato revelou boa estrutura, harmonia e carácter com final feliz, prolongado.

Julgo ser adequado como coadjutor de comidas opulentas sejam de carnes, sejam de peixes gordos e ainda charcutaria, queijos de boa estirpe amanteigado e secos durante todo o ano, às refeições e fora delas.

É distribuído por Sotavinhos, Maiorga, Albergaria-a-Velha. Ano de colheita: 2017. Graduação; 13,3º.

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