“A liberdade de Caravaggio”, por Massimo Esposito

"Medusa", Caravaggio, 1597, Óleo sobre tela.

CARAVAGGIO um nome incontornável da história da pintura.

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Passou em algumas salas de cinema um filme/documentário deste grande artista, “A Alma e o Sangue” que tocou alguns pontos da vida deste pintor italiano do 1500 numa vertente muito interessante. Primeiramente o sistema 8K que amplia e releva os pormenores das suas obras de uma maneira espectacular. Depois a intemporalidade das cenas que tanto podiam ser interpretadas no Séc.XVI como nos tempos modernos com uma continuidade impecável e que cortava a identificação temporal e a substituía num conceito abrangente.

Mas o ponto que mais me tocou, enquanto pintor italiano, foi a identificação do âmago deste pintor, dito ”Maldito”. O que lhe passava pela cabeça e como pintava. Era uma personagem do tempo. Vinha duma família desagregada. Procurou o seu bem-estar com o trabalho (maravilhoso) das suas mãos. Era humilde e vivia com a gente do povo, apesar de procurar fama e mordomias. Era rigoroso na pesquisa técnica e na personalização do SEU trabalho, pintava com um refinado estilo e delicadeza de formas. Mas era também irascível, violento, gostava do vinho, do jogo, de prostitutas… e matava os que se punham a frente dele.

Cardeais, papas, e ricos empresários tanto o procuravam e defendiam para ter uma obra sua, como logo depois o corriam dos seus palácios pelo comportamento libertino e devasso, e a sua vida, curta de apenas 38 anos, foi de mudanças contínuas e perseguições até ao limite, até à morte, abandonado ferido numa praia.

Mas… qual a razão? LIBERDADE. Sim! Liberdade de expressão, liberdade de ver e fazer o que o coração e a mente artística  lhe conduziam a realizar. Ele morreu por causa do seu carácter e ações. Certo! Mas procurou a liberdade de se expressar como ninguém até ele o fez, uma pintura “quase” fotográfica, com cortes de luz que centenas de outros pintores tentaram de imitar mas só chegaram perto.

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Ele empregou uma “máquina” percursora da máquina fotográfica, usou espelhos para transferir a luz do sol nos quartos onde trabalhava. Serviu-se de pessoas da rua para interpretar santos e anjos numa forma única; foi o primeiro a pintar um quadro de natureza morta representando só uma natureza morta; quando teve de pintar uma pessoa no leito de morte utilizou um cadáver para representar mais realisticamente as suas feições e cores.

Sempre a procurar a SUA liberdade mas como eterno inimigo, o seu feitio composto de génio e sangue a ferver. GRANDE CARAVAGGIO!

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