“A In/tolerância na arte”, por Massimo Esposito

Sempre houve contrastes e arrufos entre artistas devido ao seu diferente caráter e maneiras de ser, e pelas diferentes opiniões sobre assuntos relacionados com cores e formas, ou de como divulgar a arte ou ainda de como estar na sociedade.

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Fidia e Skopas, Bernini e Borromini, Michelangelo e Leonardo, Picasso e Salvador Dalí são alguns exemplos, e podíamos continuar a escrever muitas folhas de nomes e artistas que ao longo das suas carreiras artísticas tiveram de enfrentar acusações, ataques cobardes, ou simples críticas de outros artistas.

Isto faz parte da vida e sobretudo da vida artística CRIATIVA. Os primeiros quadros impressionistas foram duramente atacados pelos defensores da Academia francesa até que tiveram de fazer a primeira exposição à parte (a exposição dos rejeitados) num atelier de um fotógrafo.

Picasso foi considerado um oportunista a vender a “As demoiselles de Avignon” a um casal de mercadores de arte americanos, Dalí foi injustiçado dizendo que era drogado ou que tinha problemas psiquiátricos, Modigliani era um” bom vivant” e Van Gogh sempre foi posto de parte, até pelo seu irmão que trabalhava numa galeria em Paris.

Por estas razões há diferenças e ataques também hoje: talvez porque não se gosta da obra, da maneira de apresentá-la, do tema ou do estilo e isto é compreensível e saudável: Paula Rego tem quadros “que assustam”, dizem, Medina é demasiado realista, o Pomar faz só macacos e Whils só parte paredes…ok, podemos e devemos criticar quem realmente cria obras pessoais , quem inventa um estilo ou uma corrente artística. Mas nunca deve-se resvalar na ofensa ou denegrir e rebaixar quem se esforça em trabalhar e inventar algo que sai do próprio coração e da própria mente.

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No nosso Médio Tejo há muitos artistas, alguns dos quais pouco ou nada conhecidos, mas que fazem um excelente trabalho e pesquisa. Mas não consigo entender as “pequenas divisões” que existem, estes grupinhos que passam o tempo a criticar e atacar…PARA QUE? O que se ganha em desacreditar outro artista? Qual o proveito de achar que “só nós somos bons”?

Ninguém é maior ou melhor que outro mas todos devem respeitar a criatividade do colega.

Espero que possamos intervir no nosso território numa maneira mais flexível e aberta, reunir quem realmente quer expressar a sua criatividade num espaço/tempo mais democrático e tolerante e apelo a todos os colegas que repensem a forma como estão a produzir arte e em como, unidos, poderíamos ter um maior impacto social, sem invejas nem recriminações.

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