“A Europa nos 60 anos de Roma”, por Hugo Costa

A 25 de março comemoraram-se 60 anos de História, o Tratado de Roma. A construção europeia foi certamente um dos projetos mais ambiciosos da História Contemporânea, onde, os fundadores quiseram construir uma Europa de paz, de solidariedade e de democracia.

Neste Projeto, e pelas mãos de Mário Soares, Portugal passou a ser membro no ano de 1986. Nos dias de hoje a Europa atravessa alguns dos maiores desafios da sua História, tendo como base os nacionalismos, os extremismos e a falta de solidariedade entre os povos. A Europa precisa de uma redefinição. Naturalmente, tenho simpatia pelo federalismo, mas um federalismo solidário e onde os estados não se subjuguem perante outros.

Nos 60 anos do Tratado de Roma as comemorações já não contam com a presença do Reino Unido e muitos dos Estados, como a Hungria, estão bem longe dos seus valores fundadores. A Europa precisa de ser reinventada, os seus líderes devem deixar de ser meros burocratas e as instituições devem ser democratizadas. Faz sentido, por exemplo, que o Parlamento Europeu não tenha um verdadeiro poder legislativo?

Não deixa de ser curioso que em plena semana de comemorações dos 60 anos do Tratado de Roma, tenhamos assistido à infeliz afirmação do ainda Presidente do Eurogrupo, que se diz trabalhista. As eleições holandesas demonstram que os eleitores não apreciam a esquerda a fazer a política de direita. Porém, não parece que o resultado eleitoral tenha sido suficiente para ele aprender a lição.

Muito já foi escrito sobre a afirmação xenófoba e sexista de Dijsselbloem, As suas afirmações são sinal de uma doença tecnocrata, onde os valores da solidariedade perderam terreno. O que queremos continuar a ter é a Europa dos sonhos e dos valores. Essa continua a ser a verdadeira batalha daqueles que, como eu, não desistiram da Europa.

 

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Deputado na Assembleia da República e membro das Comissões de Economia, Inovação e Obras Públicas / Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas Agricultura e Mar, diz adorar o Ribatejo e o nosso país. Defende uma política de proximidade junto dos cidadãos. Tem 34 anos, é de Tomar e licenciou-se em Economia pelo ISEG. É membro da Assembleia Municipal de Tomar e da Assembleia da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo. Tem como temas de interesse a energia, os transportes, o ambiente e as relações internacionais.
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