À Descoberta | Uma volta a 3 concelhos em 3 dias

Alvega bateu recordes este verão, como a freguesia mais quente do país. Foto: DR

Durante o mês de agosto, os nossos jornalistas partilham as suas recomendações de passeios pela região. Por uma tarde, por um fim de semana ou por mais dias, queremos que conheça um recanto de paz para um piquenique, um esconderijo de água cristalina para mergulhar, um mundo de aventuras para maravilhar os mais novos… Para quem é de fora ou para quem é de cá, sugerimos uma mão cheia de coisas boas que é pecado não aproveitar.

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Três concelhos em 3 dias? Parece impossível, mas não é. Vamos passear por Abrantes, Mação e Gavião, unidos pelo mesmo rio: o Tejo. A estadia pode até ser tripartida, pois tem várias opções onde dormir, do turismo rural ao campismo ou ao alojamento local. Use e abuse destas dicas, introduza outras atividades ou eventos na agenda mas, acima de tudo, desfrute!

1) Aritium Vetus na casa de partida

Monte da Várzea, em Alvega. Foto: DR

Partimos do princípio que escolhe para a primeira dormida o Monte da Várzea, na Casa Branca, União de Freguesias de Alvega e Concavada, na extremidade sul do concelho de Abrantes. E que este é um dia dedicado ao turismo rural, à vida no campo. Ali terá a honra de pisar solo de uma outrora cidade romana Aritium Vetus, cujos vestígios ainda são bem visíveis nas imediações deste monte. Difícil, avisamos já, vai ser partir.

Se trouxer as bicicletas consigo, poderá explorar os trilhos à volta dos campos de milho, na lezíria. Ou pedir indicações e percorrer as Alagoas, locais “amazónicos” e refrescantes, recantos de natureza em estado puro. Se preferir percorrer estrada… não se preocupe. O GPS vai ser o seu melhor amigo e ajudá-lo a acumular km no seu treino diário ou simplesmente a desfrutar da pacatez das aldeias envolventes. Ponha a mochila às costas (não esqueça a água, esta freguesia já foi este ano a mais quente do país!) e faça-se ao caminho.

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Pode optar por almoçar no restaurante Entre Milhos, na própria unidade de turismo rural. Se quiser petiscar ou refrescar-se, pode sempre seguir os trilhos até à Estação de Canoagem de Alvega (E sim! Também pode aventurar-se para um passeio de canoa/caiaque), aproveite a esplanada ou estenda-se ao comprido na relva. Leve um livro.

De regresso ao Monte, cujo proprietário é Francisco Romãozinho, antigo piloto de rally, há ainda a oportunidade de sair pelos trilhos numa aventura todo-o-terreno, nomeadamente com veículos da propriedade.

Tem ainda bar, piscina exterior, permite animais, e dá oportunidade de assistir a um pôr-do-sol quase cinematográfico, naquela “golden hour” que bate certo com o recolher das ovelhas pelo pastor da terra, pintando um belo quadro, abrilhantado pelo reflexo das águas do Tejo.

Ao cair da noite, as cigarras e grilos compõem o cenário. Com sorte, terá um céu pintado de estrelas para (ad)mirar antes de descansar e arrumar a mochila para o próximo dia.

2) Dois ou três saltos e, na outra margem, está Mação

Praia Fluvial de Carvoeiro, com Bandeira Azul hasteada pelo 12º ano consecutivo, é um dos locais aprazíveis para visitar e aproveitar no concelho de Mação. Foto: mediotejo.net

Hora de acordar. E de olhar para a outra margem, que acompanhou a aventura anterior. Porque não seguir viagem até à Barragem de Belver, encontrar alguns espaços míticos e uma paisagem diferente da anterior? Se o fizer, já está no concelho de Mação.

Aqui, tem a hipótese de pernoitar no Parque de Campismo, com todas as comodidades necessárias, ou se preferir, ficar num alojamento local. Lá iremos.

Aproveite para conhecer a praia fluvial de Ortiga, usufruir de desportos náuticos e radicais ou vá conhecer o PR1, passando pela outra margem, e mesmo que não complete este percurso pedestre – acredite -, não se vai arrepender. Após uma dura subida, encontrará uma vista de cortar a respiração. Quando der por ela, já está com um pé no norte alentejano, no concelho de Gavião.

Se pretender almoçar tem ali ao lado a lendária “Lena da Barragem”, restaurante muito afamado pelo Arroz de Lampreia e peixe de rio. Mais acima, “O Bigodes”, cuja especialidade passa também pelo peixe de rio, a que se juntam as carnes de caça, os licores caseiros e a simpatia da família que tão bem sabe receber quem ali chega.

Aproveite para visitar o Largo desta freguesia, beber um café na Liga Regional de Melhoramentos e fique a saber que ali há um recentemente marcado circuito de BTT, com cerca de 30 km, que também poderá fazer (com certeza encontrará algum panfleto no posto de apoio do Parque de campismo).

A certa altura terá a oportunidade de visitar a outra margem, a visão oposta à que teve em Alvega. Dirija-se à Estação de Ortiga, ou Alvega-Ortiga. Zona outrora muito industrializada, tem por ali outro alojamento local disponível, A Tejada. Do lado de lá está Alvega, e a certa altura, enquanto caminhar pela estrada com vista para as margens, conseguirá alcançar a Estação de Canoagem. Dantes, a passagem de uma margem para a outra era possível pela barca tradicional do Ti’ Vitorino, numa azáfama constante, segundo dizem os antigos.

Daqui, siga até à vila de Mação, sede de concelho. E porque não ir a banhos quer nas piscinas municipais descobertas, quer nas praias fluviais de Carvoeiro e Cardigos, dois ex-libris deste território? Tem tudo para ser uma tarde bem passada.

Se preferir conhecer o centro histórico de Mação, aproveite para visitar o Museu de Arte Pré-Histórica e do Sagrado no Vale do Tejo, e se tiver interesse em arqueologia e caminhos rupestres, informe-se e aventure-se pelos trilhos do Vale do Ocreza ou siga até à freguesia de Envendos, e procure na aldeia de Zimbreira a indicação para o caminho do Pego da Rainha.

3) A ténue fronteira entre o Médio Tejo e o Norte Alentejano

Visto sobre Belver e o Alamal ao fundo. Foto: mediotejo.net

Se abrir um mapa no seu smartphone, vai verificar que o concelho de Gavião fica mesmo ali ao lado. Siga por Belver, encontre o seu vigilante castelo lá no alto, conheça as ruelas desta vila, também ela envolta em trilhos pedestres que poderá explorar. Ao chegar ao castelo, subindo as escadas, conseguirá ver no vale, na outra margem, a praia fluvial do Alamal, cujos passadiços fazem ligação à Barragem de Belver.

Na vila tem dois museus interessantes, o do Sabão e o Núcleo Museológico das Mantas e TapeçariasDepois, pode terminar o passeio do outro lado do rio, passando a Ponte de Belver, e descer até ao Alamal. Aqui também se assiste a um fabuloso pôr-do-sol e comem-se bons petiscos. Aproveite para espreitar a envolvente.

Cansado? Não se preocupe. Pode ficar mesmo ali, no Alamal River Club. Ou obter autorização para a zona de campismo ali junto à praia fluvial. Se lhe apetecer voltar a Belver, pode optar pela Casa Covão da Abitureira, perto da estação ferroviária, também à beira-rio, ou a Quinta do Belo-ver, mais chegada ao centro da vila.

Como vê, falamos de um percurso mais ou menos circular, com passagem por três concelhos, dois deles na região do Médio Tejo e outro já no Alto Alentejo. Com jeitinho, consegue aproveitar alguns destes pontos em 3 dias, e perceber que, apesar da relativa proximidade, existe uma diversidade imensa de História e estórias, culturas e memórias, sabores e saberes entre estes territórios unidos pelo mesmo rio.

Este é um guia para aventureiros de alma inquieta e acelerada. Se eventualmente ficou cansado só de ler estas sugestões… então opte por apreciar estes locais ao seu ritmo. Pecado será se, porventura, não os visitar!

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