À Descoberta | Fauna e flora do Médio Tejo

Emboscada de sacarrabos a coelho-bravo, com sucesso. Foto: Jorge Santiago

A Natureza, por vezes, pode parecer cruel mas desde tempos imemoriais que existe uma cadeia alimentar, com predadores e presas. Nesta foto, captada na Quinta do Casal da Coelheira, em Tramagal (Abrantes), o predador é um sacarrabos e a presa um coelho-bravo.

Falemos um pouco de cada um deles:

Sacarrabos
O Sacarrabos (Herpestes ichneumon) é um carnívoro de médio porte castanho-acinzentado que, juntamente com a Geneta, representam a família Viverridae no nosso país. Também conhecido por mangusto, manguço ou escalavardo, tem um corpo alongado e de aspecto fusiforme, o focinho é pontiagudo, as patas são curtas e a cauda vai-se afunilando até à sua extremidade onde se encontra um pincel de pelos mais escuros. Tem uma altura no garrote de aproximadamente 20 cm, pesa 2-3 Kg, e tem um comprimento total de cerca de 90 cm, podendo a cauda chegar aos 50 cm. Na cabeça distinguem-se umas orelhas pequenas e arredondadas e uns olhos côr de âmbar que têm a particularidade de exibir uma pupila horizontal, caso quase único entre mamíferos e que revela hábitos diurnos. Não existe um dimorfismo sexual evidente entre machos e fêmeas embora os primeiros sejam um pouco maiores.

Esta espécie, que se pensa ter sido introduzida na Península Ibérica pelos árabes, tem origem etiópica e está presente na maior parte do continente africano e na Ásia Menor. Na Península Ibérica está distribuida principalmente a SW. No nosso país é relativamente abundante no sul e a norte já chega pelo menos à Serra da Estrela. Depois de um período em que deve ter sofrido uma regressão na primeira metade do século XX (a ‘campanha do trigo’ que devastou muito matagal mediterrânico), a espécie parece estar agora em alguma expansão, provavelmente devido a três factores: o abandono de terras agrícolas e o ressurgimento de alguns matagais; a quase ausência dos seus predadores, como o Lince-ibérico; por ter atividade principalmente diurna não compete diretamente com outros predadores pelos mesmos recursos.

O sacarrabos tem reflexos bastante rápidos o que lhe permite capturar ofídeos (cobras), inclusivé as espécies venenosas. No entanto, as suas principais presas são os pequenos mamíferos, nomeadamente os roedores e, sempre que disponíveis, também os lagomorfos (coelhos e lebres). Por ter hábitos diurnos, os répteis são também uma parte importante do seu espectro alimentar que inclui ainda insectos, anfíbios, aves e matéria vegetal com valor energético.

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É uma espécie considerada: “Não Ameaçada”. É uma espécie cinegética de caça menor (Lei da Caça: D-L nº 251/92 de 12 de Novembro) que pode ser caçada a salto (entre Out-Dez) ou de batida (entre Jan-Fev). Pode ainda ser abatido no controlo de predadores (artigos 94-97 da Lei da Caça, cap. XI).

Coelho-bravo
O coelho-bravo é uma espécie característica dos ecossistemas mediterrânicos apresentando, no entanto, uma larga distribuição geográfica. As populações de coelho-bravo podem ser agrupadas em duas subespécies distintas: Oryctolagus cuniculus cuniculus e Oryctolagus cuniculus algirus. A primeira inclui o coelho-bravo da Europa Central, assim como as populações que dele derivaram, respectivamente as que ocorrem em França, Grã-Bretanha, Austrália, Nova Zelândia, América do Sul, e ainda todas as raças de coelho doméstico. Na segunda, inserem-se as populações ibéricas, do Norte de África e de várias ilhas atlânticas e mediterrânicas.

A pelagem difere segundo as regiões apresentando-se acinzentada, com tons amarelados e acastanhados na nuca e patas, e com a face anterior esbranquiçada; as orelhas são menores que o comprimento da cabeça e inclinadas para a frente.
O comprimento total (cabeça+corpo+cauda) é aproximadamente 340 a 455 mm, sendo o peso médio de 1 kg. As patas posteriores são muito desenvolvidas, apresentando pouca altura ao garrote, manifestando a adaptação do esqueleto do coelho-bravo ao salto, sendo a corrida feita em apertados ziguezagues.

Existem diferenças consideráveis na dieta alimentar dos coelhos em diferentes locais e estações do ano, embora os coelhos se alimentem principalmente de plantas herbáceas e arbustos, preferindo normalmente as primeiras, apresentando-se o tubo digestivo adaptado a uma alimentação exclusivamente vegetal.

As doenças que afetam o coelho têm um carácter cíclico, existindo períodos críticos ao longo do ano. As duas doenças principais são a Mixomatose e a Doença Hemorrágica Viral.
Apesar de ser menos comum do que já foi, o coelho é ainda frequente em grande parte do território nacional.

Nas regiões mediterrânicas o coelho-bravo entra na alimentação de uma ampla gama de predadores, sendo provável que a espécie tenha evoluído no sentido de escolher zonas com maior percentagem de coberto arbustivo que lhe conferem protecção, mesmo que tal não optimize a estratégia alimentar da espécie pelo facto de não poder tirar o melhor rendimento das áreas mais abertas como as pastagens, ricas em alimento.

Dado que a cobertura vegetal protege o coelho-bravo dos ataques potenciais de aves de rapina diurnas, durante o dia é mais provável encontrar a espécie em áreas de mato. Durante a noite poderá encontrar-se mais frequentemente em áreas de prados ou culturas, porque as técnicas de caça dos carnívoros noturnos são favorecidas pela existência de vegetação que lhes possibilita surpreender as presas. Finalmente, ao crepúsculo a espécie tende a frequentar habitats de orla que lhe fornecem abrigo em caso de necessidade. É espécie cinegética.

Foto: Jorge Santiago/mediotejo.net
Fonte: Naturlink

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