À Descoberta | Fauna e flora do Médio Tejo

Guarda-rios, foto captada em Rio de Moinhos, agosto de 2019. Foto; Flávio Catarino

Guarda-rios (Alcedo atthis) – O Raio Azul – Se o nome desta ave se baseasse em primeiras impressões, seria mais apropriado chamar-lhe algo como raio azul do que guarda-rios (Alcedo atthis). Isto porque o cenário mais habitual de contacto com esta ave é apercebermo-nos de que algo foge rapidamente de nós voando baixinho, sendo ainda possível ver o azul brilhante das penas dorsais e da cauda. Só com mais sorte e/ou persistência é que conseguimos ver um guarda-rios pousado num ramo, esperando pacientemente que um peixe ou outro organismo aquático como um crustáceo ou um inseto se torne na refeição seguinte.

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Martim-pescador, martim, martim-grande, papa-peixe, pica peixe, ariramba, urarirana[1] e guarda-rios são os nomes comuns dados às aves coraciformes pertencentes à família Alcedinidae.

No total, o grupo inclui 95 espécies, classificadas em 19 géneros. O grupo está presente em todos os continentes, excepto nas regiões polares e na maioria das ilhas oceânicas. Também vivem em manguezais. A maior diversidade encontra-se nas zonas de clima tropical, em particular na Oceania, enquanto que nas Américas ocorrem apenas seis espécies. O grupo habita zonas florestadas, preferencialmente junto de rios ou lagos.

Os guarda-rios são aves de pequeno a médio porte (10 a 46 cm de comprimento), de plumagem colorida e pescoço curto, com cabeça relativamente grande em relação ao corpo e um bico longo e robusto. As asas são arredondadas e a cauda é curta na maioria das espécies. As patas são pequenas e sindáctilas com os dedos frontais fundidos. No adulto, o bico e as patas são bastante coloridos, normalmente em tons de encarnado, laranja ou amarelo.

A plumagem é exuberante com frequência de cores azuis ou verdes. A forma do bico varia consoante o tipo de alimentação, sendo achatada lateralmente nas espécies piscícolas ou dorso-ventralmente nas insectívoras. Os guarda-rios que se alimentam no solo à base de frutos têm o bico bastante mais curto. A maioria das espécies não apresenta dimorfismo sexual. Os juvenis são semelhantes aos adultos e distinguem-se pela plumagem menos colorida.

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O tipo de dieta dos guarda-rios varia de acordo com a espécie e com as condições ambientais. A maioria é bastante adaptável e consome peixes, insectos ou pequenos vertebrados, existindo também exemplos de guarda-rios frutícolas. As espécies piscícolas contam com o apurado sentido de visão para localizar a presa dentro de água, que caçam através de mergulhos picados. Os guarda-rios adultos não fazem parte da dieta fundamental de nenhum outro animal graças à sua rapidez, mas os ninhos e os juvenis estão mais expostos e podem ser atacados por cobras, doninhas ou primatas. Os predadores conhecidos do grupo são sobretudo aves de rapina.

Os guarda-rios são aves diurnas e sedentárias, havendo no entanto exemplos de espécies parcialmente migratórias. São bastante territoriais que podem ter um comportamento extremamente agressivo para com intrusos, mesmo de outras espécies de aves ou até mamíferos. Os guarda-rios são aves barulhentas com vários tipos de vocalização usadas em diferentes ocasiões, o que sugere alguma forma de comunicação entre membros da espécie.

Foto captada em Rio de Moinhos, agosto de 2019

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