À Descoberta | Fauna do Médio Tejo

Águia-calçada (fase clara). Foto: Jorge Santiago/mediotejo.net.

A Águia-calçada (Hieraaetus pennatus) é a mais pequena das verdadeiras águias-europeias, apresentando um tamanho e formas semelhantes aos da Águia-de-asa-redonda (Buteo buteo). O voo da Águia-calçada é mais semelhante aos das “verdadeiras-águias”, seguindo uma trajetória mais direta. Também voa, normalmente mais rapidamente e plana mais que a Águia-de-asa-redonda.

A cauda é aproximadamente quarto quintos da largura da asa, sendo um pouco quadrada ou ligeiramente côncava na ponta. Esta espécie apresenta duas plumagens bem distintas (fases). A plumagem comumente designada por fase clara, na imagem, apresenta a parte inferior do corpo de cor clara (com algumas tonalidades acastanhadas ou escuras no peito e à volta dos olhos) e as coberturas infra-alares são de cor branca (com pontos escuros disseminados).

A plumagem designada por fase escura, apresenta a parte inferior do corpo de um tom castanho-escuro. Espécie monotípica que se distribui pelo Paleárctico meridional e Sul de África. Em Portugal Continental apresenta uma distribuição bem delimitada, estando muito associada às zonas de maior influência mediterrânica, Centro e Sul.

É uma espécie estival e migradora transariana, podendo ser observada a partir do final do mês de março, existindo, no entanto indicações de uma pequena população a invernar no nosso país. A população nidificante estima-se em cerca de 250 a 350 casais reprodutores.

Em Portugal apresenta o estatuto de “Não Ameaçado” no Livro Vermelho de Vertebrados, e aparentemente, a população nacional encontra-se estável. Na Europa desperta algumas preocupação devido ao baixo número de efetivos (cerca de 10.000 casais).

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Do seu habitat fazem parte os bosques abertos, frequentando, sobretudo os montados de sobro, associados ou não a pinheiro, aos pinhais e, com menor frequência, os montados de azinho. No Norte e Centro do País também pode frequentar outras estruturas florestais, como sejam os carvalhais de carvalho-negral (Quercus pyrenaica). A sua área vital estende-se às zonas abertas com mato, com culturas arvenses e pousios.

Alimenta-se de uma grande variedade presas, sobretudo aves e mamíferos de médio porte. Em algumas áreas os répteis podem representar uma importância razoável no seu regime alimentar, sobretudo através do consumo de sardões (Lacerta lepida). Contudo, o seu regime alimentar pode variar consideravelmente conforme a abundância de presas. Por exemplo, em algumas áreas pode ser, sobretudo uma espécie ornitófaga (aves) e, noutras, consumir preferencialmente lagomorfos (coelhos).

Exemplar fotografado em Tramagal.
Fonte: Naturlink (Luís Miguel Reino)

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