À Descoberta | Alcanena, a terra bem amada de Roque Gameiro

A Rede Portuguesa de Museus (RPM) vai integrar cinco novas instituições, passando a totalizar 156 membros, estando o Museu de Aguarela Roque Gameiro, em Minde, Alcanena, integrado no despacho publicado no dia 28 de março em Diário da República e assinado pela ministra da Cultura.

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A publicação surge dois dias depois de Graça Fonseca ter anunciado que o Governo quer relançar a RPM, com a integração de mais espaços, e reativar o programa ProMuseus, interrompido há vários anos. Esta credenciação do Museu de Aguarela Roque Gameiro, e consequente integração na RPM, “constituem fatores de promoção do acesso à cultura e de enriquecimento do património cultural português”.

Museu Roque Gameiro vai integrar Rede Portuguesa de Museus. Foto: DR

O Museu Nacional Ferroviário, no Entroncamento , também integra a lista dos cinco novos museus uma vez que ambos “preenchem os requisitos legais e reúne todas as condições” para que possa integrar a Rede de Museus.

De acordo com a página da Direção-Geral do Património Cultural, a cerimónia de adesão dos cinco museus vai ter lugar no dia 04 de abril, no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa.

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ascido em Minde em 1864, Alfredo Roque Gameiro foi uma das grandes figuras nacionais da aguarela. Pintor e desenhador, fez boa parte do seu percurso em Lisboa, existindo na Amadora também uma Casa Museu com o seu nome, na antiga residência da família.

Em Minde, sua terra natal, no concelho de Alcanena, o espaço museológico existente na “Casa dos Açores” deve-se em grande parte aos esforços do Centro de Artes e Ofícios Roque Gameiro, que após vários anos conseguiu reabrir um museu condigno para a obra do artista.

MuseuRoqueGameiro

Aberto pela primeira vez ao público em 1970, o Museu de Aguarela Roque Gameiro esteve instalado de forma provisória numa parte da moradia que havia sido a residência dos seus pais, Manuel Roque Gameiro e Ana de Jesus da Silva. Fechado o espaço por falta de condições, esteve largos anos sem um sítio definido onde se pudesse implementar a exposição.

Em 2001 a Câmara de Alcanena adquire a “Casa dos Açores”, sendo esta alvo de uma recuperação antes da re-inauguração do Museu, em 2009.

O edifício pertencia à família de Roque Gameiro, que o ajudou a desenhar nos inícios do século XX, e é ele próprio um local de visita. Além da exposição de aguarelas, o espaço possui um bonito jardim e outras salas, onde ocasionalmente se desenvolvem várias iniciativas e exposições.

Serra D’Aire e Candeeiros, em aguarela de Roque Gameiro. Foto: DR

Figura naturalista, tradicional, com grande ligação à natureza, Roque Gameiro é um nome que percorre as ruas de Minde. À entrada do seu Museu vê-se de imediato uma placa com a inscrição “Honra teus avós”.

Este é o “lema do mestre”, que esteve instalado na sua casa na Amadora e hoje figura no Museu minderico.

A entrada custa três euros e é gratuita até aos 10 anos.

Largo Justino Guedes, Minde, Alcanena

O que visitar mais?

 

 

Rosa Vieira guarda, entre as mais de oito mil bonecas da sua colecção, a primeira que recebeu, no Natal de 1957
Rosa Vieira guarda, entre as mais de oito mil bonecas da sua colecção, a primeira que recebeu, no Natal de 1957. Foto: mediotejo.net

Museu da Boneca

Nascido da paixão de Rosa Vieira por bonecas, o Museu da Boneca possui uma espólio de mais de 8 mil exemplares, de várias formatos e materiais. Situado no edifício de um antigo refeitório primário, é hoje um dos espaços mais conhecidos de Alcanena. Há um exposição permanente e outras que vão rodando por temáticas, não estando todo o núcleo museológico preparado para visita do público. Recebe com frequência doações, ou bonecas para arranjo no seu Hospital da Boneca. O bilhete custa 1,78 euros, sendo gratuito para crianças até aos 10 anos.

Rua Engº Eduardo Arantes de Oliveira, 49, Alcanena

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Centro de Ciência Viva do Alviela. Foto: mediotejo.net

Carsoscópio – Centro de Ciência Viva do Alviela

Situado na Louriceira, junto à praia fluvial dos Olhos de Água, o Carsoscópio é um centro de ciência e tecnologia, integrado na Rede Nacional de Centros de Ciência Viva. Possui exposições e recriações sobre o maciço calcário estremenho ao longo de 175 milhões de anos, percursos subterrâneos da água em 3D e uma sala dedicada aos morcegos existentes na serra, entre outras experiências. O bilhete para adulto custa 4,50 euros e 2,50 euros para estudantes e séniores. Até aos 5 anos é grátis.

Praia Fluvial dos Olhos d’Água do Alviela, Louriceira, Alcanena

Museu Rural e Etnográfico do Espinheiro

Inaugurado no ano 2000, possui dois pisos amplos, perfazendo uma área total de cerca de 190m2 de exposição. O espólio foi reunido ao longo dos anos por João Davide Lourenço e agrega um conjunto de trajes, objetos domésticos tradicionais e utensílios agrícolas ligados à história sócio-económica do Espinheiro. Este museu encontra-se dividido por grupos temáticos: a matança do porco, o vinho, os utensílios domésticos, a cozinha do campo, a carpintaria, a água, as balanças e pesos, as chaves, o fabrico de pregos, o azeite, a cerâmica, a pólvora, os cereais, as ferramentas, os serradores, a resinagem, a lavoura, o vestuário e a iluminação. A visita é gratuita, com marcação na junta de freguesia da união de Malhou, Louriceira e Espinheiro ou na secção de Cultura da Câmara de Alcanena.

Junta de Freguesia de Espinheiro. T. 249 870 612

De construção simples, a Capela possui num entranto um arco interior forrado a mosaico, única evidência de uma recuperação no período barroco. FOTO: mediotejo.net
De construção simples, a Capela de Santa Marta possui um arco interior forrado a mosaico, única evidência de uma recuperação no período barroco. Foto: mediotejo.net

Igrejas

Todas as antigas dez freguesias do concelho de Alcanena possuem Igrejas centrais e capelas que são dignas de visitação. Algumas centenárias, outras mais recentes, são sobretudo as capelas modestas que trazem consigo histórias e lendas das suas gentes.

Realçamos, tendo em conta o estilo arquitetónico e a sua história:

  •  Capela de São Lourenço – Peral (Alcanena), por onde se diz ter passado Luís Vaz de Camões;
  • Igreja Matriz do Espinheiro, igreja do século XVI em estilo manuelino, declarado imóvel de interesse público;
  • Capela de Nossa Senhora das Candeias – Chã de Cima, espaço do século XVII;
  • Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção – Minde, templo do século XVII de estilo barroco;
  • Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição – situada em Louriceira, é um templo do século XVI. É imóvel de interesse público
  • Capela de Santa Marta, em Moitas Venda, uma pequena ermida do século XVII, na encosta do Cabeço de Santa Marta, que foi espaço de romaria até ao século XIX/XX, estando associada à quinta-feira da Ascenção, feriado municipal.

*Este artigo é parte integrante de uma série especial sobre os Museus no Médio Tejo. Publicado em dezembro de 2017, revisto e republicado em março de 2019. Descubra mais sugestões em mediotejo.net

1 COMENTÁRIO

  1. Não percebo a falta de cuidado como este artigo foi feio.
    Começo pelo titulo: À DESCOBERTA: ALCANENA, A TERRA BEM AMADA DE ROQUE GAMEIRO, Não quereriam dizer MINDE? Claro que Alcanena é o concelho mas a terra que o viu nascer é Minde e essa foi a terra do seu coração.
    Depois, sem entrar muito em pormenores, era bom que se soubesse ouvir para não se escrever Chão de Cima. É Chã de Cima, mais nada.
    Depois, falando das Igrejas do concelho de Alcanena e omitir as Igrejas de Bugalhos, Louriceira, Malhou e Monsanto é mesmo imperdoável. Claro que lá também teria ficado bem uma palavra para as duas Igrejas de Alcenana. Mas omitirem-se aquelas, isso. não.
    Haja mais cuidado.

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