À Descoberta | 12 aldeias para conhecer no Médio Tejo

O novo luxo do turismo global deixou cair os hotéis de 5 estrelas e fixou-se na experiência. Se noutros tempos o simples facto de ir bastava para engrandecer a viagem, hoje o que marca como padrão as viagens, em termos qualitativos, são as experiências e a autenticidade das mesmas. As grandes cidades, como Lisboa ou Porto, cada vez têm mais turistas que procuram atividades e destinos complementares, em busca da tal autenticidade e de poderem levar para casa a afirmação “eu conheço verdadeiramente Portugal”.
 
Engana-se quem pensar que estou a falar exclusivamente do turista estrangeiro. O turista interno também tem muito por descobrir “ao pé da porta”. Portugal tem tanto de pequeno como de diverso, recheado de deliciosos pormenores, capazes de deixar de boca aberta o mais insensível dos viajantes.
 
Exemplo dessa diversidade é o Médio Tejo, zona de fronteira de variadas culturas e geografias, criando uma espécie de universo próprio, com tanto por descobrir. Se tem vários pontos individualmente interessantes, em conjunto, como região inteira por explorar, pode ser considerada como um diamante por lapidar.
 
A todos os que querem descobrir o mais genuíno que existe, aproveitem agora, enquanto ainda não está no mapa turístico. Acredito que em breve estará.
 
Considero que, turisticamente falando, a mais genuína das experiências acontece nas aldeias. Não somos (nós, portugueses) feitos do ar e das nossas raízes mais profundas que estão ali?
 
Apresento-vos 12 aldeias que tão bem representam a minha região. Não são 13, como o número de municípios do Médio Tejo, porque o Entroncamento não tem aldeias. Todas tão únicas, todas tão interessantes, à sua maneira. Descubra-as!

#ABRANTES – ÁGUA TRAVESSA
É a aldeia mais a Sul do concelho de Abrantes e tem uma particularidade: faz fronteira com o concelho da Ponte de Sôr (Alentejo) a Sul e com o concelho da Chamusca (Ribatejo) a Oeste, bebendo dessas várias influências culturais, facilmente visíveis na gastronomia e nos hábitos das suas gentes. Possui uma paisagem típica da charneca ribatejana, sendo das poucas aldeias do Médio do Tejo a possuir tão marcante perfil.

#ALCANENA – SERRA DE SANTO ANTÓNIO
Localizada em pleno Parque Natural da Serra d’Aire e Candeeiros, é uma das mais altas aldeias da região, com uma paisagem digna de filme. Pequenos muros de pedra separam vários quintais, onde a cultura do olival e da pastorícia dominam. Visualmente é impotente e muito diferente de todas as outras aldeias sugeridas neste roteiro. Visite uma das muitas grutas da região, deslumbre-se com a vista sobre o vale de Minde e faça um percurso a pé ou de bicicleta, dos muitos marcados que existem por ali.

#CONSTÂNCIA – SANTA MARGARIDA DA COUTADA

Conhecida de todos muito por culpa do campo militar de Santa Margarida, que ocupa boa parte do seu território, quando o Turismo Militar se tornar relevante, esta aldeia irá dar cartas. Para já, e caso não consiga uma visita ao campo militar, fique pelo parque ambiental, com particular destaque para o borboletário que nele se insere, e aventure-se pelos inúmeros trilhos, a pé ou de bicicleta.

#FERREIRA DO ZÊZERE – DORNES
É caso para dizer: é um lugar bonito em qualquer parte do mundo. É uma das aldeias mais fotogénicas do nosso país, localizada num braço da albufeira de Castelo de Bode. Pela sua singularidade, está associada a várias lendas, o que pode enriquecer o imaginário da sua visita. Uma passagem pela igreja e um passeio de barco são experiências obrigatórias. Por Dornes também passa a Grande Rota do Zêzere, uma das mais interessantes rotas pedestres do nosso país, que acompanha todo o percurso do rio Zêzere, da nascente à foz.

#MAÇÃO – PEREIRO
Típica aldeia do interior do país, com todas a virtudes e defeitos associados. Rodeada por um imenso pinhal, faz das suas festas de Verão o seu ponto mais alto e motivo de maior orgulho entre as suas gentes. Ruas enfeitadas com flores conquistam a atenção de muitas pessoas, que em jeito de romaria, fazem desta festa uma das mais populares da região. Fora a época de Verão, se quiser descanso e ar puro, por aqui encontra tudo isso, em larga escala.

#OURÉM – ALJUSTREL
Uma das mais conhecidas aldeias portuguesas e também uma das mais visitadas. Aqui estão localizadas as habitações dos três pastorinhos, videntes das aparições de Fátima. Sendo crente ou não, vale a visita, pois a região onde se insere é muito bonita. O monte dos Valinhos e o Calvário Húngaro são pontos de visita obrigatória.

#SARDOAL – ENTREVINHAS
Pequena aldeia de fácil acesso, pois fica junto à mítica Estrada Nacional 2. “Esconde” três segredos, capazes de orgulhar qualquer aldeia com aspirações a receber turistas. As vinhas da Quinta de Vale do Armo, os Moinhos de Entrevinhas e o parque da Lapa fazem desta aldeia uma experiência que não deixa ninguém indiferente. Uma prova de vinhos na adega do Vale do Arno, um passeio, com piquenique na Lapa e uma visita, ao final do dia, aos Moinhos, para aí assistir ao pôr-do-sol, parece-me um excelente programa.

#SERTÃ – TROVISCAL
Localizada a cerca de 15km de Sertã, a aldeia do Troviscal, escondida entre um imenso pinhal, tem na sua praia fluvial, o seu ex-líbris. Sem dúvida, uma das mais bonitas da região. Para completar os mergulhos, sestas e piqueniques, na zona da praia fluvial, tem ainda o percurso pedestre, entre a Sertã e Troviscal, pela Rota da Celinda, como destaque.

#TOMAR – CEM SOLDOS

Se existisse um prémio para aldeia mais dinâmica, Cem Soldos levava o prémio. Tem o seu ponto alto, todos os anos, em agosto, quando se transforma em recinto de festival de música. O festival Bons Sons, um dos principais do panorama musical português, é sem dúvida um dos mais originais, e já premiado a nível internacional. Faz mexer a aldeia todo ano.

#TORRES NOVAS – LAPAS
Aldeia a dois passos da cidade, com vista para a imponente Serra d’Aire. A Taberna do Aspirante, antiga taberna transformada em polo cultural, a Igreja da Nossa Senhora da Graça e as Grutas de Lapas, que segundo a lenda, ligam a aldeia ao Castelo de Torres Novas por canais subterrâneos, são os principais pontos de interesse desta aldeia.

#VILA DE REI – ÁGUA FORMOSA
A aldeia de xisto do Médio Tejo. É uma aldeia-postal. Conjunto de pequenas casas de xisto, cuidadosamente trabalhadas, com uma pequena ribeira no seu ponto mais baixo e envolvida por um denso pinhal. Pode “viver” na aldeia, pois algumas das casas foram convertidas em turismo rural. Existem inúmeros percursos pedestres e de bicicleta, marcados, a circundar a aldeia. É tão bonita que apetece levar para casa.

#VILA NOVA DA BARQUINHA – TANCOS
Tem na sua relação com o rio Tejo o seu ponto mais forte. Erguida sobre uma encosta do rio, com vista para a bonita aldeia do Arrepiado, na margem oposta, e, utilizando uma linguagem náutica, fica a poucas remadas do mais singular castelo de Portugal, o Castelo de Almourol, localizado numa pequena ilha no meio do rio Tejo. É obrigatória a visita ao Castelo, de barco, com partida em Tancos e se o passeio terminar perto da hora de almoço ou de jantar, aproveite e vá comer um peixe do rio, no restaurante da aldeia, com uma magnífica vista para o Tejo.

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