“A arte de esculpir”, por Massimo Esposito

The West Wind, 1876 (pormenor), Thomas Ridgeway Gould, Memorial Art Gallery em Rochester, NY, EUA | Foto: University of Rochester

A escultura deve ter nascido, com a pintura, milhares de anos atrás, modelando barro ou areia perto do mar. Muito se passou até hoje: desde a escultura monumental egípcia ou do Camboja, os baixo relevos Maias até à codificação e estudo anatómico aprofundado dos gregos do séc.V antes de Cristo com Fídia, Prassiteles e Skopas. Os Romanos só ampliaram e aprofundaram este código injetando no último período a representação do “retrato” distanciando-se da idealização clássica. Houve depois um momento de paragem no mundo ocidental até à renascença que renovou o estudo anatómico, o aperfeiçoamento técnico e as novas ideias que iriam mudar o rumo da arte.

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Imagine a dificuldade de estudar como modelar um véu sobre um corpo num material de entre os mais duros do planeta e que não perdoa erros – se partir um pormenor é considerado uma falha grave. De um bloco de mármore de Carrara deve-se ”tirar” o excedente, só o excedente, e isto demora muito a aprender e a desenvolver. Mas foram criadas obras maravilhosas que ainda hoje são visitadas por milhões de pessoas. Naturalmente a humanidade avança e com o fim do séc.XIX e o início do séc.XX materiais e concepções ampliaram o leque de possibilidades que os artistas podiam ter. É fácil lembrar o touro de Picasso feito com um selim e um guiador de bicicleta, ou as esculturas de Jeff Koons, Carl Fredrik Reuterswärd, Arnaldo e Gió Pomodoro ou Henri Moore. Todas obras que renovaram o estudo do materiais, os reflexos, as relações das concavidade e convexidades, os volumes e as possibilidades de as ampliar e modificar.

A escultura é uma arte em expansão e multifacetada. Com certeza que chama a atenção de grande e pequenos, mas quando me dizem numa galeria que uma tira de látex de uma só cor pendurada num arame “é uma obra” os meus intestinos entram em ebulição; quando dizem que um molho de canas num quarto “é escultura” o meu cérebro deve fazer um “reset”.

Então fechamos as escolas de esculturas, não é? São obsoletos hoje os laboratórios, faculdades e atelier de escultura?

E se regressasse o Bernini? Ou Fídia? Brancusi ou Rodin? O que achariam disto? Seria que as pobres explicações psico-analíticas baseadas na destruturação social ou a identidade desvirtuada e sociopata que alguns “intelectuais” nos servem em pratos frios e velhos os convenceriam que isto é arte? Que uma sacola no chão é escultura?

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Tenho dúvidas.

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