“7 Maravilhas de Portugal-Aldeias: um desafio para despertar consciências?”, por José Alho

O nosso País apresenta condições de excelência no âmbito da diversidade paisagística, biológica e cultural que constituem uma mais-valia que Portugal deve respeitar e valorizar como fatores de desenvolvimento, numa perspetiva de sustentabilidade.

Recentemente foi lançado na aldeia histórica do Piodão o concurso as 7 Maravilhas de Portugal® – Aldeias, no qual vão ser eleitas 7 aldeias em 7 categorias diferentes: aldeias-monumento, de mar, ribeirinhas, rurais, remotas, autênticas e em áreas protegidas.

De acordo com o anunciado pela organização “ a primeira fase desta eleição decorre até 7 de março devendo as aldeias candidatar-se através do site 7maravilhas.pt/. Entre 15 e 31 de março decorre a fase de seleção das 49 pré-finalistas e de 9 de julho a 20 de agosto são escolhidas as 14 finalistas. A eleição das 7 Maravilhas de Portugal® – Aldeias decorre entre o dia 20 de agosto e a Gala Finalíssima a 3 de setembro de 2017,por voto popular em que qualquer pessoa pode votar e os vencedores serão os mais votados em cada uma das 7 categorias.”

Na nossa região temos vários tesouros que são exemplos singulares dessas maravilhas, infelizmente um pouco esquecidas nos últimos tempos, tal como no resto do nosso território continental e insular

Essas pequenas aldeias encerram potencialidades para a prática de diversas atividades das quais ressalta o turismo e que podem garantir a diferença para a definição dum modelo de desenvolvimento para as regiões, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida das populações através de uma utilização nobre e equilibrada, de acordo com os princípios da sustentabilidade.

Estes recantos de beleza e ruralidade genuína são locais privilegiados para a sensibilização do público, aprofundando os níveis de compreensão e do relacionamento das comunidades humanas com o património natural e cultural e sua conservação.

Estes locais de excelência constituem uma riqueza que sendo património de todos, a todos cabe proteger e essa responsabilidade tem de ser partilhada entre a administração central, as autarquias, as entidades empresariais, as organizações não-governamentais, os cidadãos nelas residentes e os que delas usufruem como espaço de lazer.

O concurso das 7 Maravilhas de Portugal® – Aldeias constitui, a exemplo de edições similares anteriores, uma oportunidade interessante e mediática de envolver cidadãos e entidades num novo compromisso de relacionamento com os valores da paisagem, da geologia, da biodiversidade dos usos e costumes, das organizações socioculturais e da integração equilibrada do homem na natureza: quantos recantos, quanta beleza natural e quantas pessoas à espera de agarrar as oportunidades para a sua descoberta.

É necessário embalar nesta dinâmica, e aproveitar as mais-valias com que a Natureza e a ação do Homem prendaram o nosso País, em proveito das suas populações e das suas justas aspirações a uma melhor qualidade de vida, garantindo a conservação das paisagens e outros recursos naturais através da sua utilização sustentável no respeito pela herança que devemos às gerações futuras.

A sustentabilidade da nossa sociedade passa por garantirmos nesses recortes um espaço de oportunidade na construção duma sociedade onde a participação das comunidades locais deve ser ponto de partida mas também de chegada na dinâmica de conservação e valorização patrimonial.

Esperemos que este concurso seja incentivo para inquietar os cidadãos e as entidades responsáveis para a necessidade de as valorizar e proteger.

Esse será o maior contributo desta iniciativa!

José Manuel Pereira Alho Nasceu em 1961 em Ourém onde reside. Biólogo, desempenhou até janeiro de 2016 as funções de Adjunto da Presidente da Câmara Municipal de Abrantes. Foi nomeado a 22 de janeiro de 2016 como vogal do Conselho de Administração da Fundação INATEL. Preside à Assembleia Geral do Centro de Ciência Viva do Alviela. Exerceu cargos de Diretor do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, Coordenador da Reserva Natural do Paúl do Boquilobo, Coordenador do Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios da Serra de Aire, Diretor-Adjunto do Departamento de Gestão de Áreas Classificadas do Litoral de Lisboa e Oeste, Diretor Regional das Florestas de Lisboa e Vale do Tejo na Autoridade Florestal Nacional e Presidente do IPAMB – Instituto de Promoção Ambiental. Manteve atividade profissional como professor convidado na ESTG, no Instituto Politécnico de Leiria e no Instituto Politécnico de Tomar a par com a actividade de Formador. Membro da Ordem dos Biólogos onde desempenhou cargos na Direcção Nacional e no Conselho Profissional e Deontológico, também integra a Sociedade de Ética Ambiental. Participa com regularidade em Conferências e Palestras como orador convidado, tem sido membro de diversas comissões e grupos de trabalho de foro consultivo ou de acompanhamento na área governamental e tem mantido alguma actividade editorial na temática do Ambiente. Foi ativista e dirigente da Quercus tendo sido Presidente do Núcleo Regional da Estremadura e Ribatejo e Vice-Presidente da Direcção Nacional. Presidiu à Direção Nacional da Liga para a Protecção da Natureza. Foi membro da Comissão Regional de Turismo do Ribatejo e do Conselho de Administração da ADIRN. Desempenhou funções autárquicas como membro da Assembleia Municipal de Ourém, Vereador e Vice-Presidente da Câmara Municipal de Ourém, Presidente do Conselho de Administração da Ambiourem, Centro de Negócios de Ourém e Ouremviva. É cronista regular no jornal digital mediotejo.net.
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